Números indicam a recuperação das empresas abertas

Entre os segundos trimestres de 2017 e de 2018, as despesas cresceram 7%, enquanto as receitas avançaram 12%

O Estado de S.Paulo

17 Outubro 2018 | 04h00

Os resultados financeiros das companhias de capital aberto estão melhorando substancialmente e poderão ajudar a infundir ânimo na retomada da economia brasileira, mostrou reportagem recente do Estado. Entre os segundos trimestres de 2017 e de 2018, os lucros das empresas abertas cresceram 22%, segundo a consultoria Economática. Os lucros do segundo trimestre de 2018 superaram a totalidade dos lucros de 2017.

A recuperação das empresas é um fato relevante já constatado em outros levantamentos, como o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central relativo ao primeiro semestre deste ano. Agora, segundo a reportagem, constata-se que o comportamento das companhias abertas tem sido melhor do que o comportamento da economia em geral, marcada pela retomada lenta das atividades.

Houve, portanto, um “descolamento” em relação à economia, decorrente do ajuste das empresas à nova realidade. As companhias não melhoraram seus resultados devido a um aumento do consumo, mas pela redução das despesas, notou o professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), Marcos Piellusch.

Entre os segundos trimestres de 2017 e de 2018, as despesas cresceram 7%, enquanto as receitas avançaram 12%. A diminuição dos juros teve grande impacto nos resultados: as despesas financeiras caíram 21% em decorrência da redução da taxa básica de juros. Os resultados divulgados seriam ainda melhores se fossem incluídas as estatais Petrobrás e Eletrobrás, que não fazem parte da pesquisa sobre companhias abertas feita regularmente pela Economática.

A melhora da administração das empresas abertas começou em 2015, no auge da recessão econômica, e já propiciou uma valorização das companhias cujas ações são negociadas em bolsa. Em média, o valor de mercado é hoje superior a 74% do valor contábil das empresas (ou seja, o valor patrimonial das ações).

Fatores permanentes ajudam, assim, a explicar a alta das cotações nos últimos dias. Essa alta não se deve apenas às expectativas políticas acerca da adoção, pelo próximo governo, de uma política econômica voltada para o mercado.

Além do ambiente político e da melhora da saúde das empresas, o retorno dos investidores estrangeiros à bolsa se deveu também à desvalorização do real no trimestre passado.

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