O BNDES terá de avaliar o crédito à infraestrutura

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reduziu vigorosamente a oferta de crédito no primeiro trimestre, liberando recursos de R$ 18 bilhões (-46% em relação a igual período de 2015). Os desembolsos para o financiamento de investimentos em infraestrutura caíram 51% no trimestre, para R$ 5,7 bilhões. É possível que no futuro próximo a retomada dessa modalidade de investimento seja necessária para a reativação, ainda que modesta, da economia em geral e da construção civil em particular.

O Estado de S. Paulo

11 Maio 2016 | 03h00

A oferta de crédito total do BNDES foi recorde no biênio 2013/2014, superando R$ 180 bilhões anuais, e começou a recuar em 2015. Nos últimos 12 meses, até março, o volume de desembolsos foi de R$ 120 bilhões, queda de 32% em relação aos 12 meses anteriores.

A diminuição dos desembolsos do BNDES foi geral. Para a indústria, a queda foi de 48% entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016 – para o comércio e serviços, o recuo foi de 51%. A agropecuária foi menos atingida (queda de 11%), mas seu peso relativo é o menor entre os setores financiados pelo banco.

Dado o desequilíbrio das contas públicas, o banco já não pode depender tanto de transferências de títulos públicos para financiar suas operações a juros subsidiados. Financiar a infraestrutura tornou-se ainda mais difícil porque grandes empreiteiras foram envolvidas na Operação Lava Jato, sofreram prejuízos e enfrentam dificuldades para obter crédito.

É consenso de que um dos segmentos que mais rapidamente poderão atrair investimentos é o de infraestrutura. Concessões de rodovias, aeroportos e terminais portuários interessam a investidores nacionais e estrangeiros. O ideal é que estes disponham de recursos próprios ou linhas de crédito obtidas no exterior, mas os investidores nacionais dependerão de recursos de longo prazo, dos quais o BNDES é o maior fornecedor. O banco também poderá facilitar o acesso ao mercado de capitais, oferecendo garantias em emissões de debêntures. O mais importante é que o acesso aos recursos pelos tomadores não dependa de enormes subsídios, incompatíveis com os orçamentos públicos.

Para recuperar os investimentos – segundo a FGV, a formação bruta de capital fixo caiu 18,5% entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016 e deve ceder mais –, as aplicações em infraestrutura são o caminho natural. Elas são indispensáveis para reduzir custos de logística e elevar a eficiência da economia.

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