O Brasil na mira da China

Os dados sobre o comércio entre os dois países e, especialmente, sobre os investimentos de empresas de seu país confirmam a afirmação do ministro do Comércio da China, Chen Deming, de que "os empresários chineses têm o Brasil como foco". Em 2009, a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil e, em 2010, o maior investidor externo em nosso país. Mas, como deixou claro o ministro, o interesse da China no Brasil não se concentra mais nas commodities, como soja e minério de ferro. Agora se estende para áreas como infraestrutura, alta tecnologia, a chamada tecnologia verde, indústria em geral e turismo. Abre-se, assim, um novo e imenso campo de cooperação entre os dois países.

, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2011 | 00h00

À frente de uma delegação empresarial composta por representantes dos setores de infraestrutura, agricultura, energia, automobilístico e ferroviário, entre outros, o ministro do Comércio chinês realizou uma visita de quatro dias ao Brasil - uma consequência da viagem da presidente Dilma Rousseff à China no mês passado. Com o objetivo de discutir a diversificação do comércio bilateral e os investimentos recíprocos, os chineses encontraram-se com empresários brasileiros em São Paulo, na semana passada, e em Brasília, na segunda-feira.

Quanto ao comércio bilateral, que em 2010 somou US$ 56 bilhões - e no qual o Brasil tem superávit, apesar das frequentes críticas de dirigentes de diversos setores industriais à concorrência predatória dos produtos chineses -, o ministro Chen Deming afirmou que o saldo favorável a nosso país "é satisfatório". Ele destacou que a rápida expansão do mercado consumidor chinês cria oportunidades para os exportadores brasileiros.

Nos próximos anos, a demanda chinesa deverá crescer ainda mais depressa, pois será estimulada pelo governo de Pequim, dentro de seu plano quinquenal recém-aprovado, voltado para a melhoria das condições de vida da população, o que implica aumentar mais as importações do que as exportações. Isso abre mais espaço para fornecedores do exterior, mas, no caso do Brasil, como observou Chen Deming, é preciso que o País diversifique suas exportações, para atender às necessidades dos consumidores chineses. "O Brasil tem produtos de boa qualidade que o povo chinês não conhece, por isso os brasileiros precisam aproveitar oportunidades para expor produtos em feiras de negócios chinesas", sugeriu.

A China, de sua parte, passará a dedicar maior atenção aos investimentos produtivos no exterior, para assegurar o atendimento da crescente demanda de seu mercado interno e também para aproveitar as oportunidades abertas em outros países.

No encontro com os ministros das Relações Exteriores, Antônio Patriota, e do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, Deming apresentou uma longa lista de propostas de investimentos chineses no País, como nas linhas de transmissão da energia a ser produzida pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte, oleodutos e projetos do pré-sal. Na área industrial, o ministro chinês citou os investimentos de US$ 200 milhões da Sany Heavy Industries numa fábrica de guindastes e escavadeiras em Minas Gerais. Disse também que a Chevy pode investir US$ 400 milhões para fabricar carros no Brasil. De acordo com o ministro Fernando Pimentel, só neste ano, a China deve investir US$ 8 bilhões no Brasil, em áreas como energia, comunicações, ferrovias, portos e infraestrutura em geral.

Apesar do volume expressivo dos investimentos chineses no País, Deming cobrou das autoridades brasileiras maior facilidade para se investir aqui. É preciso destacar, neste ponto, que os chineses têm muito mais facilidades para investir no Brasil do que os brasileiros na China. Não haverá relações equilibradas se não houver reciprocidade.

Já com relação às críticas às sérias deficiências do Brasil em infraestrutura, como ferrovias e portos, e à subutilização de seu potencial de geração de energia elétrica, o que assusta os investidores estrangeiros, Deming tem razão. Essas deficiências são ruins também para a indústria brasileira, que, por causa delas, tem maiores dificuldades para diversificar sua produção.

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