O Censo do Ensino Superior

Recém-divulgado pelo Ministério da Educação, o último Censo do Ensino Superior não trouxe maiores novidades. Registrou um aumento de 110% no número de estudantes - em 2001, as universidades brasileiras tinham 3 milhões de alunos; no ano passado, eram 6,37 milhões -, dos quais 74,2% matriculados em instituições privadas. O maior crescimento ocorreu nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2011 | 03h07

Mas, apesar desse crescimento expressivo, o País não conseguiu atingir a meta do último Plano Nacional de Educação, em matéria de acesso à universidade. Elaborado em 2000, o Plano previa a inclusão de 30% dos jovens de 18 a 24 anos no ensino superior, até 2010. Em dezembro do ano passado, o número de brasileiros dessa faixa etária matriculados em instituições públicas, privadas ou confessionais de ensino superior era de apenas 17,4%. Para a atual década, o novo Plano Nacional de Educação - que continua à espera de votação do Congresso - prevê a inclusão, até 2020, de 33% da população com idade entre 18 e 24 anos no ensino superior. Trata-se de outra meta difícil de ser alcançada, apesar dos estímulos criados para incentivar as novas gerações a fazerem uma faculdade.

Um desses estímulos foi a criação do Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas de estudos integrais e parciais em cursos de graduação e cursos sequenciais de formação específica em instituições particulares e confessionais de ensino superior. Criado em 2004, o ProUni começou a funcionar efetivamente em 2005.

Outro estímulo foi o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Foi lançado em 2007 com o objetivo de ampliar a oferta de vagas e reduzir as taxas de evasão nas instituições de ensino superior mantidas pela União. Graças ao Reuni, o número de matrículas nas universidades federais cresceu 86%. Todavia, como o Censo não apresenta o perfil de renda dos alunos, é difícil saber quais foram as classes sociais que se beneficiaram da expansão do acesso ao ensino superior.

Além desses dois programas, o governo também investiu na expansão da rede de ensino a distância, com o objetivo de aumentar o número de estudantes universitários. Em 2001, o País tinha 5.359 alunos matriculados nessa modalidade educacional. No ano passado, eram 930.179 alunos. Atualmente, o ensino a distância - cuja qualidade tem sido criticada pelos pedagogos - responde por 14,6% das matrículas de graduação no ensino superior. O ministro Fernando Haddad reconhece que o ritmo de expansão da educação não presencial - em que a idade média dos alunos é de 33 anos - poderia ter sido bem maior do que o registrado pelo Censo, mas alega que o governo procurou contê-lo por não conseguir garantir padrão mínimo de eficiência pedagógica. Nos cursos de graduação presenciais, a idade média dos estudantes é de 26 anos.

O Censo também registrou que 6 em cada 10 alunos de ensino superior estudam à noite. Entre 2001 e 2010, as matrículas nos cursos noturnos pularam de 56,1% para 63,5%. Nas universidades federais predominam os cursos diurnos, frequentados por 70% dos estudantes. Já nas universidades privadas, 71,8% dos alunos estudam à noite. As mulheres continuam sendo maioria - no ano passado, 57% dos estudantes de graduação eram do sexo feminino, porcentagem que se mantém estável desde 2001. Em 2010, o número de formandos foi de 973 mil - mais do que o dobro do registrado em 2001.

O Censo é um retrato estatístico da realidade do ensino superior. Com base nele, as autoridades educacionais podem planejar políticas para o setor. Para os especialistas, além de ter registrado que o País não conseguiu atingir as metas do último Plano Nacional de Educação, o Censo de 2010 revela que o Brasil continua com taxas de escolarização bem abaixo do Chile e da Argentina. O Censo mostra ainda que a maioria dos universitários estuda em instituições cujo nível médio de qualidade está muito abaixo do das universidades mais conceituadas. Essas informações mostram o quanto o Brasil ainda precisa investir para aprimorar um sistema educacional que sempre primou pela falta de qualidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.