O Copom terá de tomar uma decisão delicada

Na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 27 e 28 de abril, as autoridades monetárias terão de decidir sobre a taxa de juros básica (Selic). E há um consenso de que a taxa deverá ser aumentada.

, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2010 | 00h00

O Copom terá composição ligeiramente diferente da do mês anterior, quando as autoridades monetárias, embora reconhecendo a necessidade de elevar a Selic, decidiram finalmente mantê-la no nível de 8,75% ao ano. Decisão que surpreendeu os meios financeiros que consideram que os membros do Copom haviam sido sensíveis pela primeira vez a conveniências puramente políticas. A dúvida atual é saber que aumento será decidido pelo novo Copom.

Trata-se de uma questão bastante interessante quando se recorda a evolução da taxa básica, que chegou a 45% em março de 1999 e hoje está no seu mais baixo nível.

De modo geral, considera-se que as autoridades monetárias mantiveram a taxa muito elevada por um tempo excessivamente longo, enquanto a política mais usual, geralmente, é de fixar uma taxa muito alta, por um prazo curto, para enfrentar uma retomada anormal da inflação e, logo que essa anormalidade seja controlada ou sanada, reduzir muito a taxa, podendo até, como se verifica na maioria dos países do Terceiro Mundo, chegar a uma taxa negativa (isto é, abaixo da inflação) numa fase de depressão, para se conseguir dar um impulso à economia.

No caso do Brasil nunca se chegou a uma taxa negativa, pois a Selic sempre se manteve muito acima da inflação prevista, tornando-se, com isso, mais um fator inflacionário.

Nesse momento, em que as autoridades monetárias estão reconhecendo que já deveriam ter elevado a taxa básica e que o mercado, a cada semana, corrige para cima sua previsão do IPCA para o exercício atual e para o próximo, justifica-se uma alta que, na perspectiva do mercado, deverá variar entre 0,50 e 0,75 ponto porcentual, uma vez que o mercado esteja informando que ela poderia voltar a baixar desde que a inflação mostrasse sinais de recuo.

O mercado está prevendo uma Selic de 9,5%, que sofreria três outras elevações sucessivas até o final do ano para conter a inflação. Se ficar claro que será esta a decisão do Copom ? na qual o mercado, aliás, está apostando ?, é provável que as pressões inflacionárias diminuam. Porém, se a redução for de apenas 0,50 ou 0,75 ponto porcentual, o efeito sobre a inflação ficará muito reduzido neste momento em que a elevação dos preços parece generalizada.

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