O crédito deu novos sinais positivos

O volume de empréstimos e as concessões de crédito aumentaram, os juros e a inadimplência recuaram e os spreads (diferença entre juros ativos e juros passivos) caíram por qualquer critério de comparação

O Estado de S.Paulo

29 Julho 2017 | 03h11

Houve vários indicadores favoráveis do crédito em junho, segundo o Banco Central (BC). O volume de empréstimos e as concessões de crédito aumentaram, os juros e a inadimplência recuaram e os spreads (diferença entre juros ativos e juros passivos) caíram por qualquer critério de comparação. Em relação a um ano atrás, os montantes e as concessões de crédito ainda apontam queda, mas esses “números mostram resultados menos negativos”, disse o chefe adjunto do Departamento Econômico do BC, Fernando Rocha.

A média diária das concessões do crédito livre entre maio e junho aumentou 15,2% para as pessoas jurídicas e 2,4% para as pessoas físicas, “com ajuste para inflação e sazonalidade”, calcularam os especialistas responsáveis pelo boletim Macro Brasil, do Banco Itaú.

O BC enfatizou a recuperação das operações com as pessoas jurídicas, que se seguiu à tendência de avanço dos empréstimos às pessoas físicas. Nas operações de desconto de duplicatas, as concessões chegaram a crescer 40% entre maio e junho; e para capital de giro, 25,2%.

Como a retomada do crédito é recente, a proporção entre o crédito total (R$ 3,07 trilhões) e o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu 0,1 ponto porcentual entre maio e junho e foi de 48,5% do PIB, mais de 5 pontos porcentuais abaixo da registrada em dezembro de 2015. Nesse período, portanto, ocorreu uma diminuição do crédito superior a R$ 300 bilhões – valor equivalente a cerca de dois meses de concessões totais de crédito às famílias.

O crescimento da demanda de empréstimos pelas empresas é um fator positivo, indicando que as companhias vislumbram um horizonte melhor e buscam recursos para financiar suas operações e, muitas vezes, seus consumidores, que também dependem de crédito para adquirir bens.

Na comparação entre junho de 2016 e junho de 2017, o custo médio dos empréstimos às companhias caiu de 30,1% ao ano para 24,8% ao ano. A queda sugere que os bancos ajustaram as carteiras, para não perder operações. A maior demanda de crédito vem do comércio, segundo o BC.

Entre os aspectos relevantes da retomada do crédito está o de que esta se origina nas operações livres, nas quais não há incentivos e direcionamentos, ou seja, não há novas pressões sobre as contas públicas.

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