O desafio do País é aumentar as exportações

O governo está consciente da necessidade de exportar mais e prometeu medidas microeconômicas nos próximos meses

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2016 | 04h00

Entre 21 e 25 de novembro, a balança comercial mostrou um superávit de US$ 2,6 bilhões, que correspondeu a 61% do saldo positivo do mês passado, de US$ 4,7 bilhões, elevando a US$ 43,2 bilhões o superávit acumulado no ano. Numa única semana, o saldo obtido correspondeu a 6% do superávit anual. É um resultado esporádico, que decorreu da exportação fictícia de plataformas de petróleo que permaneceram no Brasil.

No início do ano, com a recessão a pleno vapor, chegou-se a imaginar que a exportação atenuaria as dificuldades, apesar da pouca expressão do comércio exterior na economia. Com a divulgação há pouco dos números do Produto Interno Bruto (PIB) pelo IBGE, já se sabe que as exportações cresceram 6,8% entre os últimos quatro trimestres, até setembro, e os quatro trimestres anteriores.

O governo está consciente da necessidade de exportar mais e prometeu medidas microeconômicas nos próximos meses, no âmbito tributário e logístico, com esse objetivo. As vendas ao exterior avançaram só 0,2% entre o terceiro trimestre de 2015 e igual período deste ano. E, como as importações tendem a crescer mais rapidamente em 2017, é essencial dar mais vida às vendas externas, não apenas via câmbio.

Os números do mês passado não mostram melhora das vendas. A média por dia útil, melhor indicador das exportações, só atingiu US$ 811 milhões porque foi inflada pela média de US$ 1,105 bilhão/dia da quarta semana do mês. Mesmo assim, entre os primeiros 11 meses de 2015 e de 2016 houve queda de 3,3% das exportações pelo critério de média diária.

Em novembro, poucos itens tiveram comportamento destacado. Entre os produtos cujas exportações aumentaram estão açúcar refinado, automóveis, motores e geradores, veículos de carga, óxidos e hidróxidos de alumínio, suco de laranja congelado, tratores, calçados, aviões e autopeças.

As vendas de semimanufaturados melhoraram, mas caíram as de itens básicos, como milho e soja em grão, farelo de soja, carne bovina e de frango e algodão. As vendas externas de básicos só não foram piores por causa da valorização de commodities como petróleo e minério de ferro – em razão destes dois itens o saldo cresceu cerca de US$ 800 milhões, comparado ao de novembro de 2015.

Pela fraqueza do comércio global, o País depende cada vez mais da evolução das cotações de commodities.

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