O desemprego é maior na economia tradicional

Enquanto no Brasil a taxa média de desemprego em março era de 10,9%, em Santa Catarina era de 6% e na Bahia, de 15,5%. Mais do que um exemplo dessa diferença entre os dois Estados, as cidades de Blumenau (SC) e Salvador (BA) são pontos extremos da situação do emprego: Blumenau foi a cidade que mais gerou vagas no primeiro trimestre (2.679) e Salvador, a que mais fechou postos de trabalho (9.690) no período. A reportagem de Naiana Oscar e de Pablo Pereira no Estado de domingo ajuda a entender por quê.

O Estado de S. Paulo

16 Junho 2016 | 03h00

Não é a falta de vontade de trabalhar que afeta os habitantes de Salvador – às 5 horas há enormes filas nos postos da área central da cidade –, mas o ambiente econômico menos favorável, com concentração de setores mais afetados pela recessão (indústria e comércio), elevada informalidade e maior dificuldade de reciclagem profissional. A média de tempo para o desempregado achar trabalho é de 50 semanas, segundo Ana Margaret Simões, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

O comportamento do emprego em Salvador depende da situação econômica do País, que vive uma das piores recessões da história.

Como em outras partes do País, o desemprego cresceu em Salvador e em Blumenau. Mas cresceu menos na cidade catarinense por causa de suas vantagens comparativas. Em Blumenau há mais empresas de tecnologia (1,1 mil) do que padarias (78). Para enfrentar a concorrência chinesa, a indústria têxtil investe em informática, moderniza sistemas de produção e desenvolve produtos com alto conteúdo tecnológico. As exigências de qualificação da mão de obra tornam difícil a tarefa de contratar, o que, de outro lado, inibe as demissões.

Blumenau é um polo de tecnologia e vista como sinônimo de disciplina e organização, qualidades fortalecidas pelo cooperativismo e pela “cultura herdada dos imigrantes alemães”, que lhe permite “sofrer menos com uma crise econômica”, diz o investidor Valmir Zanetti.

O economista José Roberto Mendonça de Barros, em artigo no Estado, notou que nos últimos anos se criou em diferentes pontos do País um ambiente propício para o florescimento de parques tecnológicos, incubadoras, universidades, aceleradores de startups e organizações de suporte ao empreendedorismo. Não é um grupo grande de empresas, mas elas impulsionam a produtividade e modernizam a produção, como mostra Blumenau.

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