O desemprego na indústria paulista cresceu menos em 2016

Na melhor das hipóteses, os dados serão estáveis em 2017

O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2017 | 03h00

A indústria paulista, que emprega 2,3 milhões de pessoas, fechou 35,5 mil vagas em dezembro e 152,5 mil em 2016 (-6,58% em relação a 2015, na série sem ajuste sazonal), segundo a Pesquisa de Nível de Emprego da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). São números ruins, mas menos negativos do que os de 2015, quando o emprego industrial paulista caiu 2,27% em dezembro e 9,29% em relação a 2014, com o fechamento de 235,5 mil vagas.

A situação do emprego industrial em São Paulo é semelhante à do País: dados do Ministério do Trabalho mostram corte de 166,5 mil vagas na indústria de transformação em 2014 e de 611,6 mil vagas em 2015. Em 2016, até novembro, o corte foi de 191,8 mil vagas.

No Estado, a queda foi ininterrupta desde 2011, mas se acentuou no triênio 2014/2016, sob o impacto da recessão do período Dilma. Mais de meio milhão de empregos foram eliminados pela indústria no período e não se espera recuperação rápida.

Na melhor das hipóteses, os dados serão estáveis em 2017, prevê o gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp-Ciesp, Guilherme Moreira. “O emprego na indústria veio se ajustando à queda da produção”, afirmou. “Acreditamos que o período agora seja de estabilização, com retomada mais intensa de vagas apenas a partir de 2018.”

Em 2016, a queda do emprego atingiu os 22 setores analisados pela Fiesp. Mas, enquanto as indústrias de produtos farmoquímicos e farmacêuticos suprimiam apenas 49 postos de trabalho (-0,09%), as de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, cortaram 17.569 vagas (-10%). As demissões também foram muito altas em produtos de borracha e material plástico, metalurgia, máquinas e equipamentos, confecção de artigos do vestuário e acessórios, veículos automotores, reboques e carrocerias. Até na área de produtos alimentícios 11.918 vagas foram suprimidas, indicando os efeitos do desemprego sobre o consumo básico das famílias.

Em contraste com o desemprego, há sinais incipientes de aumento da confiança da indústria, que será beneficiada por queda de juros e pelo recuo da inflação.

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