O encolhimento do emprego

Todos os indicadores de emprego relativos a janeiro foram ruins. Tanto a Pesquisa Mensal do IBGE como os dados do Seade/Dieese mostraram a primeira queda do emprego nas regiões metropolitanas nos últimos dez anos. Mas os piores números foram os do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) sobre o emprego formal.Em janeiro foram cortados 101.748 empregos com carteira assinada, enquanto em janeiro de 2008 tinham sido criadas 142.921 vagas. Nos últimos três meses 797.515 vagas sumiram.O saldo de postos de trabalho formais, abertos em 12 meses, caiu de quase 2,1 milhões, em setembro de 2008, para 1,2 milhão, no mês passado - 900 mil a menos. A redução de vagas de janeiro foi inferior à de dezembro (654,9 mil). Mas janeiro, sazonalmente, é mês de contratações.O número de cortes foi maior na indústria (53,1 mil), inflado pelas demissões em transporte (-2,3%), material elétrico e comunicações (-1,81%) e metalurgia (-1,60%). Também foram afetados o comércio (50,7 mil vagas) e a agropecuária (12,1 mil). Entre outubro e janeiro 400 mil postos foram suprimidos na indústria.O emprego formal só não caiu mais por causa das contratações na construção civil (11.324). Nos Estados mais capitalizados cresceu o ritmo das obras públicas. Também foram criadas vagas em serviços (2.452), administração pública (2.234) e serviços de utilidade pública (713). A chegada de novos prefeitos, as obras do PAC e decisões de investimentos com vista às eleições de 2010 propiciarão a abertura de novos postos em 2009.Em termos regionais, houve uma contribuição positiva do Sul (10.797 vagas abertas) e do Centro-Oeste (7.086). Mas nas nove regiões metropolitanas pesquisadas, apenas em Curitiba o saldo foi positivo (504 vagas). No total, a queda foi de 42.935, ou 0,32%, igual à média nacional, mas mais intensa em Belo Horizonte (-0,57%) e no Rio (-0,53%) do que em São Paulo (-0,28%). Em números absolutos, o corte de vagas formais foi de 15.627 em São Paulo, mas na construção civil foram abertas 4.053 vagas.Os tímidos sinais de retomada em alguns setores de atividade ainda não foram acompanhados de melhora do emprego. Essa situação poderá melhorar, por exemplo, no setor de veículos, onde as vendas aumentam. Na maioria das áreas, o mais provável é que as empresas esperem dados positivos da atividade para recontratar.

, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2009 | 00h00

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