O Fed e a retomada econômica

A ata da reunião de abril do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), divulgada anteontem, forneceu sinais ambíguos sobre o estado da economia dos Estados Unidos e provocou uma queda nos mercados mundiais. Os economistas do Fed notaram que as perspectivas de longo prazo melhoraram um pouco, mas a retomada será mais lenta do que o previsto e o desemprego tende a crescer.A estimativa sobre a marcha da economia neste ano passou do intervalo de crescimento de 0,5% e queda de -1,3% para o de queda de -1,3% a -2%. O desemprego, previsto em janeiro entre 8,5% e 8,8%, foi recalculado entre 9,2% e 9,6% - e um dos membros do Fomc chegou a prever uma taxa de 10%. A economia deverá se recuperar em 2010 e 2011, conforme a avaliação do Fomc, mas em ritmo mais lento.Tensões no mercado de crédito, dificuldades de realocação de mão de obra, consumo contido das famílias, menores estímulos fiscais e baixa demanda de exportações tenderão a frear o ritmo econômico no médio prazo, segundo a Ata do Fomc.Houve, nas últimas semanas, inegáveis sinais positivos, sobretudo os originários do mercado. Nos últimos 30 dias, até quarta-feira, o índice Dow Jones se valorizou 6,79% e o Nasdaq, 4,96%. Os dois indicadores caíram fortemente ontem.Foi significativa a revelação do secretário do Tesouro, Timothy Geithner, de que os bancos que há pouco foram submetidos ao teste de stress já levantaram US$ 56 bilhões de um total de US$ 75 bilhões de que necessitam em capital novo. Alguns já planejam devolver ao governo os recursos recebidos no ano passado.O programa de socorro Tarp (Programa de Alívio de Ativos Problemáticos) previu desembolsos de US$ 700 bilhões, dos quais ainda estão disponíveis US$ 123,7 bilhões, disse Geithner. Segundo o Wall Street Journal, entre os bancos que tratam da devolução dos recursos ao governo estão Goldman Sachs, J.P. Morgan, Capital One Financial, U.S. Bancorp e Morgan Stanley.A Ata do Fed confirma que a fase mais aguda da crise da economia norte-americana passou, mas que o governo ainda terá de mobilizar vultosos recursos para comprar ativos hipotecários e títulos do Tesouro em poder das instituições em dificuldades. "Alguns membros (do Fed) notaram que um maior aumento no montante total das compras poderá ser necessário, em algum momento, para estimular um ritmo mais rápido de recuperação", diz a ata.

, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

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