O forte ritmo da atividade enfrenta seus limites

Os dados sobre o crescimento do comércio varejista e, em especial, do segmento de veículos, mostram o ritmo extraordinariamente vigoroso da atividade econômica no fim de 2010. Cabe indagar em que medida esse ritmo é sustentável, sem maiores pressões sobre a política macroeconômica.

, O Estado de S.Paulo

09 Janeiro 2011 | 00h00

Segundo a Serasa Experian, o faturamento do comércio varejista cresceu 2,9% reais, entre novembro e dezembro, e 10,3%, entre 2009 e 2010. Esse porcentual é superior ao previsto para o PIB de 2010 - e elevado, mesmo levando em conta que houve recessão em 2009.

No ano passado, o segmento imobiliário cresceu 17%, beneficiando, indiretamente, áreas afins, como o setor de móveis, eletroeletrônicos e informática, que avançou 14,9%. Isso se explica porque as famílias que compram a casa própria necessitam mobiliá-las e equipá-las. O comércio de veículos, motos e peças teve alta de 10,9%, porcentual expressivo, conquanto inferior ao indicado pela indústria automobilística.

A produção de veículos atingiu 3,63 milhões de unidades, segundo a Anfavea, e as vendas, 381,6 mil, em dezembro, e 3,515 milhões, em 2010, 11,9% acima de 2009. É o sétimo ano consecutivo de aumento de vendas - e o País já é o quarto maior mercado consumidor do mundo, abaixo da China, dos Estados Unidos e do Japão. A questão é o grau de aperto necessário para evitar as pressões ameaçadoras da demanda sobre os preços e o câmbio (e, portanto, importações), sem cair no extremo oposto - um desaquecimento rápido da atividade, por ora rejeitado pela quase totalidade dos analistas econômicos.

Para evitar a exacerbação do consumo, refletida no IPCA de 5,91%, em 2010, o governo elevou os compulsórios dos bancos e encareceu o crédito ao consumidor, sobretudo a prazos superiores a dois anos, mas as medidas de contenção pouco efeito surtiram até dezembro, como mostram os dados da Serasa e da Anfavea. A rigor, a euforia das vendas de veículos, no mês passado, deveu-se à manutenção das facilidades de crédito presentes até novembro e à antecipação de licenciamentos. Será normal, assim, o recuo das vendas de veículos em janeiro, que costuma ser o mês mais fraco do ano, por questões sazonais.

Cabe lembrar que "machuca muito" uma queda abrupta da atividade, como notou o economista Ilan Goldfajn, em artigo no Estado. O desafio da Fazenda e do Banco Central é, pois, dosar o crescimento de tal modo que se concretize o sonho dos economistas e do País - alcançar a "sintonia fina" das políticas monetária e fiscal.

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