O Ideb de 2009

Apesar de registrar alguns avanços, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o principal indicador da qualidade do ensino brasileiro, mais uma vez mostrou por que o setor continua sendo apontado como um dos principais gargalos do desenvolvimento do País. Criado em 2005, o Ideb mede a qualidade das redes pública e privada de ensino básico fundamental e médio, com base nas notas obtidas na Prova Brasil/Saeb e em informações sobre fluxo escolar encaminhadas pelos Estados e municípios.

, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2010 | 00h00

Em todo o País, só 5,7% das escolas públicas do ensino fundamental conseguiram alcançar 6 pontos (numa escala de zero a 10). Essa é a nota que era vista como o mínimo aceitável de qualidade pelos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico para 2003. Mas, a partir da constatação de que o Brasil está mais de uma geração atrás dos países desenvolvidos, o governo fixou-a como meta para 2021 nas cinco séries iniciais do ensino fundamental. Essa meta só valerá em 2025, nas séries finais; e em 2028, nas três séries do ensino médio.

Entre outras constatações, o Ideb de 2009 mostrou que as taxas de evasão escolar vêm caindo, mas que os estudantes da última série do ensino médio estão abaixo do esperado para alunos da 8.ª série da educação fundamental. O levantamento também revelou que houve melhoria relativa no aprendizado de português em todas as séries do ensino básico, mas que, em matemática, os resultados ainda estão longe do mínimo aceitável.

Segundo o Ideb, embora as médias nacionais de aproveitamento tenham melhorado, entre 2007 e 2009, houve uma queda ? especialmente nas séries finais do ensino fundamental ? em 1.146 cidades, o equivalente a 21% do total. A maior parte dessas cidades está situada no Norte e Nordeste. Em algumas cidades dessas regiões, o Ideb de 2009 constatou que as escolas públicas tiveram um desempenho pior do que o registrado no levantamento anterior. Isso significa que o ensino vem dando sinais de melhoria nos Estados mais desenvolvidos, mas que o desafio das desigualdades regionais continua longe de ser vencido.

Os melhores resultados foram registrados no Sul e Sudeste. Das cinco primeiras séries do ensino fundamental, o destaque ficou para as escolas de cidades de pequeno e médio portes de Minas Gerais, onde o índice médio de qualidade passou de 4,7 para 5,6 pontos ? a diferença de 0,9 ponto é mais do que o dobro da média nacional. Em termos absolutos, a maior pontuação foi obtida por uma pequena cidade paulista, Cajuru, que obteve 8,6 pontos, numa escala de zero a 10. Com cerca de 20 mil habitantes, a cidade colocou quatro escolas entre as cinco melhores do País no Ideb de 2009.

No ensino médio, que é considerado o mais problemático do sistema educacional brasileiro, por contar com um currículo defasado, corpo docente desmotivado e altas taxas de reprovação e de evasão, o maior Ideb foi obtido pelas escolas do Paraná, com uma média de 4,2 pontos, seguidas pelas escolas de Santa Catarina, com 4,1 pontos. O índice médio mais baixo foi apresentado pelas escolas do Piauí, com apenas 3 pontos.

O Ideb de 2009 também mostrou que, apesar de a distância entre a rede escolar particular e a rede escolar pública vir diminuindo desde 2005, os alunos da rede escolar particular continuam aprendendo muito mais do que os da rede pública. Isso se deve à flexibilidade dos programas e ao nível de escolaridade dos pais. Mesmo assim, quando comparados com os alunos de países desenvolvidos, os estudantes dos colégios privados têm um aproveitamento mais baixo e uma formação inferior.

Os números do Ideb de 2009 foram apresentados poucas semanas após entidades empresariais terem divulgado pesquisas alertando para o risco de um "apagão" de mão de obra qualificada. Se o próximo governo não converter o ensino em prioridade, o Brasil viverá o pior dos mundos ? com um grande contingente de desempregados sem a devida formação escolar, enquanto sobram empregos para profissionais qualificados no mercado de trabalho.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.