O momento mais difícil do ajuste dos devedores

Levantamento mostrou que 61 milhões de brasileiros têm dívidas atrasadas, a maior parte destas contratadas nos últimos três anos, quando se instaurou a maior recessão da história documentada do País

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2017 | 03h04

Os indicadores de inadimplência não apenas continuam ruins, como, ainda pior, não é por opção que as pessoas e as empresas deixam de pagar as contas em dia, mas por falta de caixa, segundo pesquisa do instituto Data Popular e da empresa de recuperação de crédito Recovery, divulgada pelo Estado.

O levantamento mostrou que 61 milhões de brasileiros têm dívidas atrasadas, a maior parte destas contratadas nos últimos três anos, quando se instaurou a maior recessão da história documentada do País.

A inadimplência tende a se agravar com o descontrole inflacionário, como ocorreu no triênio 2014/2016, quando o IPCA subiu mais de 25%. Havendo 14 milhões de desempregados, é de supor que muitos estejam nas listas de inadimplentes. Os juros altíssimos também agravam o problema. Ademais, alguns tomam empréstimos para amigos ou familiares, enquanto outros têm educação financeira deficiente. Há, pois, um conjunto de fatores que explicam a gravidade da inadimplência.

Embora boa parte (27%) dos devedores em atraso pertença à classe de baixa renda, um quarto dos endividados está na classe alta e 10% são pós-graduados. As pessoas já não se preocupam tanto com o risco de ter o “nome sujo”. Buscam, primeiro, condições justas para quitar débitos, “com descontos maiores e juros menores”, enfatiza Dorival Mata-Machado, do Data Popular. Os credores sabem que só receberão se oferecerem boas condições.

Há devedores que não sabem quanto devem. “O brasileiro tem dificuldade de lidar com o dinheiro”, diz Bruno Poljokan, do site GuiaBolso. Outros ignoram o custo até dos juros do cartão de crédito e do cheque especial.

A situação de inadimplência entre as empresas também é ruim, como informa a consultoria Serasa Experian. Entre maio de 2016 e maio de 2017, o número de empresas inadimplentes no País aumentou de 4,4 milhões para 5,1 milhões, pior indicador desde março de 2015, quando o Brasil vivia o auge da recessão e o levantamento começou a ser feito. O montante de dívidas em atraso das empresas atingiu R$ 119,2 bilhões, média de R$ 23 mil por devedor. A maioria das endividadas é do setor de serviços (46,7%) e a melhor situação é a das indústrias.

O aperto no orçamento de famílias e empresas não cederá logo, mas os endividados sabem que é melhor renegociar as dívidas e manter o crédito.

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