O motor chinês continua firme

Maior parceira comercial do Brasil e principal motor da economia mundial, a China continua crescendo vigorosamente e assim deve manter-se ainda por um bom tempo, segundo indicam os últimos números divulgados pelo governo. No terceiro trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) chinês foi 9,1% maior que o de um ano antes. No segundo, havia sido 9,5% superior ao de igual trimestre de 2010. No primeiro, a diferença havia sido de 9,7%. Há, portanto, sinais de uma desaceleração, mas ainda muito suave e insuficiente para mudar o padrão observado em mais de uma década. As autoridades têm procurado baixar o ritmo de atividade, para conter a inflação, mas com resultados muito modestos até agora. Além disso, têm tomado medidas para limitar a expansão dos preços no mercado imobiliário, perigosamente inflados pelo menos desde o ano passado.

O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2011 | 03h09

No Brasil e na maior parte do mundo há uma compreensível torcida pela prosperidade chinesa. Com as economias do mundo rico ainda estagnadas e sem perspectivas de grande melhora nos próximos 12 ou mesmo 24 meses, caberá aos grandes emergentes continuar sustentando a atividade global.

Caberá à China o papel central nesse espetáculo, como vem ocorrendo há alguns anos, especialmente a partir de 2007, quando começou o estouro da grande bolha imobiliária do Ocidente. Os últimos números confirmam o vigoroso dinamismo chinês. Em setembro, as vendas no varejo, a produção industrial e o investimento fixo foram de, respectivamente, 17,7%, 13,8% e 24,9% maiores que os de um ano antes. A expansão do mercado interno estimula as importações e é uma notícia muito bem-vinda.

O esforço contra a especulação imobiliária parece dar algum resultado. Em 70 cidades cobertas por uma pesquisa oficial, os preços dos imóveis ficaram praticamente estáveis de agosto para setembro, com variação média de 0,01%.No combate à inflação o êxito parece menor. Os preços ao consumidor acumularam alta de 6,1% nos 12 meses terminados em setembro. No período encerrado em agosto, o aumento havia sido pouco superior - 6,2%. De toda forma, a inflação continua bem acima da meta fixada para este ano, 4%, apesar das medidas do banco central.

Apesar disso, um porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas mostrou-se otimista quanto à evolução dos preços. O aperto monetário ainda produzirá efeitos e, além disso, uma boa safra de grãos ajudará a conter a elevação dos preços, afirmou. Mas ainda haverá a ameaça, segundo esse funcionário, da inflação importada, resultante do grande volume de dinheiro em circulação no mercado internacional.

Mas o governo chinês e os parceiros da China devem ter outros motivos de preocupação. Governos locais estão muito endividados e, além disso, há sinais de fragilidade nos bancos. As autoridades chinesas terão de manobrar com muita firmeza e muita competência, nos próximos meses, para evitar o agravamento de problemas tanto no setor bancário quanto na área pública.

Um dos principais problemas para os condutores da política econômica, nos próximos tempos, será conduzir o país a uma acomodação tranquila, sem grandes solavancos. Será uma tarefa complicada, porque as autoridades terão de encontrar meios de reduzir a inflação, eliminar os desajustes no mercado imobiliário, manter os bancos saudáveis, corrigir os desequilíbrios no setor público e, ao mesmo tempo, manter um crescimento suficiente para atender à demanda de empregos fora da agricultura.

Se algo falhar e a economia chinesa for levada a um ajuste desastrado, o custo será muito alto para todos. O governo chinês enfrentará, quase certamente, problemas políticos sérios com a frustração de milhões de famílias em busca de novas oportunidades, ou mesmo daquelas acomodadas há poucos anos na vida urbana e recém-chegadas ao mercado de consumo. Ao mesmo tempo, o tropeço chinês afetaria o comércio internacional e os preços das commodities, com grandes danos para o Brasil e muitos outros países.

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