O novo cenário da OCDE

A economia brasileira será uma das primeiras, entre as grandes, a sair da recessão. Quanto a isto todas as projeções divulgadas pelos principais organismos internacionais continuam coincidindo. Segundo a nova estimativa do Banco Mundial (Bird), o PIB do Brasil encolherá 1,1% neste ano e crescerá 2,5% no próximo e 4,1% em 2011. Uma avaliação um pouco mais otimista é oferecida pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE): contração de 0,8% em 2009 e expansão de 4% já em 2010. Os economistas da OCDE rebaixaram em junho sua estimativa para a economia brasileira neste ano - a diminuição prevista em março era de 0,5% -, mas a mudança é compreensível, depois de confirmados dois trimestres de redução. Mas a expectativa é das mais favoráveis: "A demanda interna está pronta para ganhar força no segundo semestre, na esteira da atual flexibilização da política monetária", afirmam os técnicos da entidade, mencionando o corte de 4,5 pontos porcentuais dos juros básicos este ano. O cenário externo será um pouco mais propício, a partir dos próximos meses, se os fatos confirmarem as novas projeções da OCDE divulgadas ontem. As estimativas de crescimento do mundo industrializado foram revistas para cima pela primeira vez em dois anos. Em março, os cálculos apontavam uma contração de 4,3% em 2009 e mais um resultado negativo, de 0,1%, no próximo ano. Pelas novas contas, a produção dos 30 países sócios da organização deve diminuir 4,1% neste ano e crescer 0,7% em 2010. "Uma lenta recuperação é projetada para começar até o final de 2009, graças às políticas de incentivo aliadas à normalização gradual das condições financeiras e à retomada gradual do crescimento fora da OCDE", segundo o relatório. De acordo com o documento, a retração nos EUA será de 2,8% neste ano, não de 4% como se estimava em março. A economia americana só chegará ao fundo do poço no segundo semestre. A maior ameaça à reativação continua no setor financeiro, com mercados e instituições ainda "sob estresse considerável". Os motores da reativação global, segundo a OCDE, deverão ser mesmo as economias emergentes. O crescimento calculado para a China, em 2009, foi revisto de 6,3% para 7,7%, mais em linha com a projeção do governo chinês. Para 2010, a estimativa foi elevada de 8,5% para 9,3%. O Banco Mundial prevê uma retração econômica de 4,2% para os países da OCDE neste ano e um crescimento de 1,2% no ano seguinte. Para a China, o banco ainda estima crescimento de 6,5% neste ano e de 7,5% em 2010.Em todos os cenários divulgados nas últimas semanas, são cautelosas as perspectivas de recuperação da economia global. Alguns aspectos, no entanto, pouco têm variado. Economias da Ásia e do Oriente Médio terão algum crescimento neste ano e ganharão impulso no próximo. O melhor desempenho continuará sendo exibido por China e Índia. Na América Latina 2009 será um ano de recessão, mas a maior parte dos países sofrerá menos do que o México, dependente do comércio com os EUA. Desde o fim de 2008 as instituições multilaterais têm corrigido seguidamente suas estimativas. Isso não surpreende: não há experiência de crise semelhante, pela extensão dos problemas e pelo envolvimento de grandes economias emergentes, integradas como nunca nos vários segmentos do mercado global. No Brasil, o bom estado de espírito dos consumidores poderá ajudar a recuperação. Os brasileiros demonstram agora menos temor de perder o emprego do que nos primeiros seis meses da crise, segundo sondagem divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O índice de medo elaborado pelos economistas da entidade voltou em junho ao nível de setembro, quando os primeiros impactos da crise internacional começavam a manifestar-se no Brasil. Esse levantamento é realizado trimestralmente pelo Ibope, por encomenda da CNI. Com a inflação controlada, os trabalhadores ainda ocupados não tiveram grande perda de renda real. A grande ameaça, hoje, vem da baixa demanda de mão de obra na indústria.

, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

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