O novo perfil da exportação de serviços

As exportações brasileiras de serviços vêm adquirindo novo perfil. Até há pouco, essas operações praticamente se limitavam às grandes construtoras nacionais, que realizavam e/ou realizam obras no exterior, muitas vezes com financiamento do BNDES. O quadro mudou. Favorecida pelo câmbio e muito mais adaptada às condições do mercado global, uma nova área de serviços avança no exterior. Ela se estende da manutenção de turbinas, produção publicitária e de filmes à tecnologia da informação (TI) e setores conexos.

O Estado de S. Paulo

03 Julho 2016 | 05h00

Em entrevista ao Estado, o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, observou que, só no segmento de telecomunicação, computação e informações, as exportações tiveram crescimento, medido em reais, de 48% no primeiro quadrimestre de 2016 em comparação com o mesmo período do ano passado.

A disposição dessas empresas de buscar negócios no exterior vem de algum tempo. Circunstâncias especiais levaram parte das companhias a internacionalizar-se, mas, em geral, empresas tecnologicamente mais avançadas trataram de estabelecer escritórios no exterior em razão da estagnação do mercado interno e da disposição de quadros técnicos com alto nível de formação, mas pouco aproveitados. Diferentemente das grandes empreiteiras, essas empresas tecnologicamente mais habilitadas têm-se voltado não apenas para países latino-americanos vizinhos, mas, principalmente, para outras partes do mundo.

Estão em alta as vendas da T-Systems (implementação de sistemas e desenvolvimento de softwares) na Alemanha, EUA, Bélgica, México, China e África do Sul. Já a GFT (soluções de TI) também tem incrementado seus negócios nos EUA, Reino Unido, Alemanha, Espanha e Itália. Deve crescer também a receita da GE Celma (manutenção de turbinas), bem como o faturamento com filmes produzidos no Brasil e de redes de restaurantes com sede aqui.

Falta muito para reduzir o saldo negativo do Brasil na conta de Serviços do balanço de pagamentos, que alcançou US$ 11,22 bilhões de janeiro a maio. Mas diversas empresas brasileiras, especialmente aquelas que incorporaram tecnologias avançadas, já vêm dando alguma contribuição nesse sentido.

O déficit no item Telecomunicação, Computação e Informações caiu de US$ 767 milhões nos primeiros cinco meses de 2015 para US$ 637 milhões no mesmo período deste ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.