O presidente do BC fala do controle do crédito

As declarações dos presidentes de bancos centrais são sempre cautelosas, e o atual presidente da instituição no Brasil, Henrique Meirelles, não escapa a essa regra. Comprovou-a agora, na Suíça, ao ser indagado por jornalistas sobre a expansão do crédito no Brasil.

, O Estado de S.Paulo

26 Junho 2010 | 00h00

Entre os economistas há um consenso de que a expansão explica, em grande parte, o aquecimento da economia, embora em muitos países o crédito apresente participação no PIB maior do que os 40% no do Brasil. Henrique Meirelles, sempre prudente ao falar da política econômica do governo, saiu pela tangente diante da pergunta, lembrando que a forte expansão do crédito não é de agora, mas vem desde 2003, e que uma "economia mais estável permite maior expansão de crédito".

Segundo ele, a autoridade monetária "não é e não será complacente com os riscos da alta de crédito no País", explicitando que o Banco Central (BC) não vai controlar a expansão do crédito e, sim, o risco prudencial de perda de créditos e de "crise sistêmica".

De fato, o BC pode controlar de maneira indireta uma expansão do crédito. O instrumento mais utilizado é, sem dúvida, a elevação da taxa básica de juros, ao qual recorreu amplamente. Pode também ampliar o recolhimento de depósitos compulsórios, que tem um duplo efeito: reduzir as disponibilidades dos bancos para aumentar seus empréstimos e elevar os juros na medida em que tais depósitos não são remunerados.

Nos últimos anos o BC exigiu um capital próprio cujo montante varia em virtude da ampliação de aplicações. Foi o emprego ainda mais severo das regras do acordo de Basileia que permitiu às instituições financeiras brasileiras escapar da crise bancária de 2008.

Henrique Meirelles ilustrou a sua posição e, ao mesmo tempo, explicitou a sua política quando lhe perguntaram se não ficava preocupado com a forte entrada atual de recursos estrangeiros para compra de títulos de renda fixa, em razão do alto rendimento desses papéis. Explicou que o BC observa cuidadosamente essas entradas e que aumenta suas reservas internacionais para neutralizar os efeitos desses recursos sobre a capacidade dos bancos de aumentar seus empréstimos.

Até agora, o BC justificava suas reservas em razão da situação cambial do País. Parece que elas têm também outra função: controlar a expansão do crédito, o que levanta a questão do custo dessas operações, dada a diferença que existe entre a remuneração dos títulos de renda fixa e a das reservas.

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