O que determinou o comportamento ruim do comércio varejista

O levantamento da Serasa apontou como causas básicas dos maus resultados de 2016 os juros altos cobrados no crediário, o desemprego em alta e a confiança insatisfatória dos consumidores

O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2017 | 03h17

O movimento dos consumidores em 6 mil empresas comerciais do País, medido pelo volume de consultas à base de dados da Serasa Experian, indicou quedas de 6,6% entre 2015 e 2016, de 2,9% entre dezembro dos dois anos e de 0,6% entre novembro e dezembro de 2016. É o pior resultado em 16 anos de pesquisa, segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio. Dezembro foi decepcionante.

Os números não surpreenderam. Ao divulgar ontem a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) com dados de novembro, a economista do IBGE Isabela Nunes comentou que 2016 deverá ser o pior ano para o varejo desde 2001. A questão é prever em que condições poderá haver alguma recuperação neste ano.

O levantamento da Serasa apontou como causas básicas dos maus resultados de 2016 os juros altos cobrados no crediário, o desemprego em alta e a confiança insatisfatória dos consumidores. Na comparação entre 2015 e 2016, quedas superiores a 10% foram verificadas nos segmentos de veículos, motos e peças (-13%), tecidos, vestuário, calçados e acessórios (-12,6%) e móveis, eletrônicos e informática (-11,1%). Num deles, provavelmente, haverá melhora neste ano (veículos). E, se os preços da alimentação forem mais favoráveis, também é presumível uma recuperação.

Por ora, dos poucos fatores que permitirão atenuar a queda, dois devem ser destacados por sua amplitude. Neste mês, entrou em vigor o novo salário mínimo, que era de R$ 880,00 e passou para R$ 937,00. O porcentual de alta (6,47%) repôs as perdas com a inflação de 2016. Dependendo do comportamento dos preços neste ano, o poder de compra pode ser menos corroído do que ao longo de 2016. Só na Previdência mais de 20 milhões de beneficiários recebem o piso salarial. Além disso, no último semestre houve um leve crescimento da renda real dos trabalhadores, confirmado pelos últimos dados do Ministério do Trabalho.

O segundo ponto diz respeito aos juros, que, embora altíssimos, começam a apresentar ligeira queda nominal. O alívio dos juros começou com duas reduções da Selic de 0,25 ponto porcentual e pode ser intensificado na reunião que o Copom conclui hoje. Restará o mais difícil, que é a estabilização do nível de emprego.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.