O que os brasileiros querem

Os brasileiros ainda não sabem o que podem esperar do governo Temer, mas querem Dilma Rousseff definitivamente afastada da Presidência da República. Essas são as duas principais conclusões a que chega a primeira pesquisa de opinião feita após a posse do governo provisório, divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT/MDA). O governo interino é avaliado negativamente por 28% dos entrevistados, enquanto sua taxa de aprovação é de apenas 11,3%. A desaprovação pessoal de Temer é de 40,4%. A maioria dos brasileiros, mais de 60%, está dividida entre 30,2% que consideram o atual governo regular e 30,5% que não souberam ou não quiseram opinar. Ou seja, 6 em cada 10 brasileiros permanecem em cautelosa expectativa sobre o futuro do País no que depender do governo Temer. Ao mesmo tempo, a grande maioria, 62,4%, quase dois terços dos entrevistados, é favorável ao impeachment da presidente afastada.

O Estado de S. Paulo

10 Junho 2016 | 03h00

Em resumo, a pesquisa CNT revela aquilo que se poderia esperar: Michel Temer precisa mostrar a que veio e Dilma Rousseff deveria ficar quieta em seu confortável canto, desfrutando enquanto pode das mordomias a seu alcance, em vez de espernear inutilmente contra o destino que o povo brasileiro lhe reserva.

O fato de cerca de dois terços dos brasileiros não se alinharem entre os que aprovam (11,3%) nem os que desaprovam (28%) o governo Temer é perfeitamente natural quando se considera que a pesquisa foi feita quando ainda não havia decorrido um mês de sua posse. E quando se leva em conta também que, até agora, em termos de projeção de imagem, o presidente em exercício teve um desempenho errático.

De fato, é difícil entender que Temer tenha montado um primeiro escalão de governo sem nenhuma mulher ou representante das minorias étnicas, mas repleto de políticos comprometidos com a Operação Lava Jato; que tenha vacilado lamentavelmente ao dar motivo para a hostilidade de importantes formadores de opinião com as idas e vindas em relação ao Ministério da Cultura; que, para fazer média política, tenha estimulado a concessão de generosos reajustes salariais a várias categorias do funcionalismo público, enquanto prega a necessidade de redução de despesas para botar as contas do governo em ordem. Tudo isso poderia ter tido um efeito devastador sobre a imagem do governo e as expectativas dos cidadãos, até porque o PT, como é natural, não fez cerimônia para explorar cada um desses episódios.

O fato é que o governo Temer tem um amplo espaço a conquistar em termos de credibilidade e confiança entre brasileiros que poderão se somar aos 11,3% que já o aprovam. Afinal, 30% julgam o governo regular e 30% ainda não formaram opinião. Isso dependerá, principalmente, de que a competente equipe econômica que escalou consiga, tão rapidamente quanto possível, implantar medidas que resultem em indicadores econômicos capazes de sinalizar boas notícias adiante.

Além disso, é necessário que o governo Temer não mais negligencie símbolos importantes para uma sociedade que anseia por um futuro de justiça, paz e prosperidade, que se mostra cada dia mais disposta a conquistar nas ruas sua condição natural de sujeito e não de objeto da História, e que por isso repudia o populismo irresponsável como o lulopetismo. Hoje, um grande símbolo da luta dos brasileiros por um País passado a limpo é a Operação Lava Jato, em relação à qual Temer já manifestou apoio, embora continue rodeado por más companhias. Isso decepciona quem quer ver a política brasileira livre dos amigos do alheio que a infestam.

É compreensível também que Temer se preocupe em garantir que o processo de impeachment resulte na transformação em definitivo de sua investidura interina na Presidência. Mas esse é um assunto que está nas mãos do Senado para um julgamento político que, como tal, é difícil imaginar que poderá contrariar a vontade de 62,4% dos brasileiros que, como revela a pesquisa da CNT, querem ver Dilma e o PT pelas costas.

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