O ranking da Aneel

O primeiro ranking de qualidade das grandes empresas distribuidoras de energia, divulgado há pouco pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), apenas confirma o que os consumidores de São Paulo já sabiam há muito tempo: são ruins os serviços prestados pela AES Eletropaulo, concessionária que atende a capital e mais 23 municípios da Grande São Paulo.

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2012 | 03h06

Baseado em dois indicadores, que medem o tempo de paralisação do fornecimento da energia e o número de interrupções durante o ano passado, o ranking da Aneel coloca a Eletropaulo na 23.ª posição entre 33 grandes distribuidoras que operam no País e cujo mercado anual é de mais de 1 terawatt hora (TWh). É a pior entre as concessionárias que atendem o Estado de São Paulo. A CPFL Paulista ficou em 5.º lugar; a CPFL Piratininga, em 8.º; a Elektro, em 11.º; e a Bandeirante Energia, em 14.º. Se serve de consolo, os paulistas dispõem de serviço melhor do que o oferecido aos consumidores do Rio de Janeiro, pois a concessionária local, a Light, ficou no antepenúltimo lugar entre as grandes distribuidoras.

Para classificar as 63 distribuidoras do País (30 estão no mercado anual abaixo de 1 TWh) de acordo com a qualidade do serviço que prestam, a Aneel utilizou como indicadores o número de horas em média que um consumidor ficou sem energia no ano e o número de interrupções do fornecimento para o consumidor (residência, comércio, indústria). Comparando esses indicadores com os limites estabelecidos por ela, a Aneel montou o índice de Desempenho Global de Continuidade (DGC), que classifica as distribuidoras.

Além de mostrar para as empresas se elas estão cumprindo as metas de eficiência definidas pela Aneel e quanto sua operação pode estar distante dessas metas, o trabalho tem também o objetivo de permitir que o consumidor compare a qualidade dos serviços que recebe com o que é prestado em outras regiões do País.

Do ponto de vista prático, o indicador elaborado pela agência reguladora fará parte do conjunto de informações que serão consideradas na revisão das tarifas das concessionárias. Quanto pior o desempenho, menor será o reajuste.

Previsivelmente, a diretoria da AES Eletropaulo contestou a eficácia e a validade do ranking da Aneel. "Quem tinha meta mais frouxa foi beneficiado, enquanto as empresas com metas mais apertadas foram prejudicadas", argumentou o vice-presidente de Operações e Comercial da empresa, Sidney Simonaggio. Ele citou o fato de os consumidores da segunda melhor distribuidora no ranking, a Companhia Energética do Maranhão (Cemar), terem ficado, em média, 22,44 horas sem energia no ano passado, enquanto para os da Eletropaulo a média foi de 10,36 horas.

Para 2012, a meta fixada pela Aneel para a Eletropaulo é interrupção média de 8,67 horas. "Nosso plano de investimentos já está surtindo efeito nos números da empresa e vamos bater essa meta estabelecida pela Aneel", assegurou o diretor da empresa. O mesmo argumento - aumento dos investimentos para a melhoria da rede - foi utilizado como justificativa pela Light, que informou estar investindo cerca de R$ 460 milhões neste ano.

Para a maioria dos consumidores atendidos por essas concessionárias, os investimentos por elas anunciados são bem-vindos, pois devem reduzir a fragilidade de seus sistemas de distribuição. Os sistemas têm sido abalados com frequência anormal por eventos naturais ou outros acidentes que não afetariam o fornecimento de energia, como têm afetado, se tais investimentos tivessem sido feitos há mais tempo, nos termos do compromisso de concessão das distribuidoras.

A Eletropaulo atribui mais da metade das interrupções de energia em sua área à queda de galhos, árvores e objetos na rede. Se a rede já tivesse sido aterrada, como deveria, seriam bem menores os riscos de queda de energia e bem menores os transtornos enfrentados pelos consumidores em geral e os prejuízos em que incorrem as empresas por causa da interrupção do fornecimento de energia elétrica.

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