O ranking das universidades

As universidades brasileiras vêm perdendo posições nos rankings comparativos das melhores instituições de ensino superior promovidos pela conceituada publicação britânica Times Higher Education

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 03h11

As universidades brasileiras vêm perdendo posições nos rankings comparativos das melhores instituições de ensino superior promovidos pela conceituada publicação britânica Times Higher Education. A Universidade de São Paulo (USP), que esteve entre as 100 melhores há alguns anos, por contar com um número reduzido de doutores premiados, ter um processo decisório excessivamente burocratizado e atravessar uma grave crise financeira, agora ficou na faixa das 251 a 300 melhores instituições. Após as 200 primeiras universidades, a organização se dá por blocos.

Das 27 universidades brasileiras classificadas entre as mil melhores, no ano passado, 6 saíram da lista no ranking de 2017. Das 21 que restaram, 18 são universidades públicas e 3 são católicas. As três universidades brasileiras com melhor classificação, depois da USP, também são sediadas no Estado de São Paulo. São a Unicamp, a Unifesp e a UFABC. Além de universidades tradicionais, como a UFRJ, a UFMG, a UFRGS, a UFPE, a UnB, a UFSC, a UFC e a Ufscar, integram o ranking as Universidades Federais de Itajubá, Pelotas e Ponta Grossa, que não estavam no levantamento de 2016. Entre as que saíram da lista, por queda de desempenho e de reputação, destacam-se as Universidades Federais do Paraná, Bahia, Goiás, Viçosa, Ouro Preto, Lavras, Maringá e Santa Maria e a Universidade Estadual de Londrina.

Elaborado com base na análise de 50 milhões de citações e menções em revistas científicas de prestígio mundial, que dispõem de conselhos de arbitragem, e em mais de 10,5 mil entrevistas com professores, cientistas e pesquisadores de mais de 130 países, e que atuam no mundo acadêmico há pelo menos 18 anos, o levantamento da Times Higher Education avalia ensino, pesquisa, produção de conhecimento e reputação internacional. Esse estudo comparativo, que vem sendo promovido desde 2004, também leva em conta o orçamento de cada universidade, a qualidade do corpo docente, o número de títulos de doutor concedidos, a quantidade de pesquisas, o volume de receitas delas decorrentes e a regularidade da publicação de artigos científicos. Avalia, ainda, o nível de internacionalização de cada universidade e o nível de absorção, pelas empresas, das tecnologias inovadoras desenvolvidas por instituições de ensino superior.

O topo da lista sempre foi ocupado por instituições inglesas e americanas. No ranking deste ano, as duas primeiras posições ficaram com duas tradicionais universidades britânicas, Oxford e Cambridge. Em seguida vêm quatro universidades americanas – California Institute of Technology, Harvard, Princeton e Massachusetts Institute of Tecnology. Na lista das onze melhores, sete são americanas, três são britânicas e apenas uma – o Instituto de Tecnologia de Zurique – é europeia. Com relação às universidades americanas, das 69 que foram classificadas em 2016 pela Times Higher Education, 29 saíram da lista, por baixo desempenho. Seguindo tendência dos últimos anos, as universidades chinesas ganharam posições – 2 delas, a de Pequim e a de Tsinghua, ficaram entre as 30 melhores. Universidades asiáticas, principalmente as do Japão, também foram bem classificadas no ranking. E, na lista das 200 melhores, metade das posições foi ocupada por instituições europeias – principalmente por universidades da Alemanha, Holanda, Itália e Espanha, além das universidades britânicas.

A perda de posições das universidades brasileiras no ranking da Times Higher Education exige atenção das autoridades educacionais. Quando uma instituição é bem classificada, ela é procurada por melhores alunos e professores, o que resulta em mais financiamento para suas atividades. Mas, quando perde posições, ela tem menos oportunidades de obter financiamentos e firmar parcerias mundiais, o que tende a prejudicar ainda mais sua imagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.