O resumo do fracasso

Os maus resultados da economia em 2014 não são apenas os piores desde 2009, quando o País foi fortemente afetado pela crise mundial e o Produto Interno Bruto (PIB) encolheu 0,2%. O quase imperceptível crescimento de 0,1% do PIB no ano passado, aferido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), resume o fracasso das seguidas tentativas do governo Dilma Rousseff de estimular o crescimento por meio de subsídios a setores escolhidos da economia e ao consumo. Além de destroçar as finanças públicas e de não evitar a alta média dos preços, a política econômica de Dilma levou à estagnação da economia.

O Estado de S.Paulo

29 Março 2015 | 02h04

A presidente e seus principais auxiliares passaram o primeiro mandato atribuindo a fatores externos os problemas que, por incompetência administrativa, se acumulavam, mas cuja existência era por eles negada. Os dados, porém, não deixam nenhuma dúvida de que as fontes do problema são internas - mais do que isso, estão no próprio governo.

De acordo com a nova metodologia de cálculo das contas nacionais, o PIB cresceu 3,9% em 2011, 1,8% em 2012, 2,7% em 2013 e 0,1% em 2014. Em média, o crescimento no primeiro mandato de Dilma Rousseff foi de 2,12% ao ano. É menor do que a média de 2,26% ao ano do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (de 1999 a 2002), sempre apontado pelo PT como desastroso para a economia brasileira. Dilma conseguiu produzir algo pior do que o PT sempre apontou como um desastre.

Outros países latino-americanos cresceram bem mais do que o Brasil entre 2011 e 2014. O crescimento médio de Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai, por exemplo, foi superior a 4% ao ano; em alguns casos, superou 5% ao ano.

Como a ironizar o recurso dilmista de atribuir aos países industrializados todos os problemas enfrentados pelo Brasil, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos informou, no mesmo dia em que o IBGE anunciou o PIB de 2014, que a economia americana cresceu 2,4% no ano passado, depois de ter crescido 2,2% em 2013. Nem o crescimento mais rápido do principal parceiro comercial do Brasil, que estimulou a economia mundial, foi suficiente para evitar que, no fim do primeiro mandato de Dilma, a economia brasileira caminhasse de maneira tão trôpega.

O desempenho da economia brasileira em 2014 não foi ruim apenas por causa do baixíssimo crescimento constatado pelo IBGE. O encolhimento de 1,2% da indústria em relação a 2013 mostra que o processo de deterioração do setor industrial se aprofunda. Não fosse o bom desempenho da indústria extrativa (com aumento de 8,7%), o resultado de todo o setor teria sido pior. A construção civil e a indústria de produção de eletricidade, gás e água encolheram 2,6%. Pior desempenho foi o da indústria de transformação, que diminuiu 3,8%, mantendo uma sequência de queda observada há anos. Com a conivência do governo, o País vai perdendo o segmento da economia que tem papel essencial na modernização do setor produtivo, na produção e na importação de novas tecnologias, no aumento da produtividade média da economia e, sobretudo, na geração dos melhores empregos.

O consumo das famílias, estimulado pelo crescimento da massa salarial real, ajudou a evitar que o PIB encolhesse no ano passado. As mudanças, para pior, no mercado de trabalho - com o aumento do desemprego e a queda da renda real - devem frear o consumo em 2015.

Mas o dado que mostra com mais clareza o fracasso da política econômica é o dos investimentos. Programas de isenções fiscais e crédito oficial em abundância foram criados para, como alegou o governo, estimular os investimentos e colocar a economia no rumo do crescimento. A despeito dessas políticas e do discurso oficial, os investimentos diminuíram 4,4% em 2014, como proporção do PIB. Com Dilma, o Brasil, que investia pouco em comparação com outros países em desenvolvimento, passou a investir menos (de 19,4% do PIB em 2011, a taxa de investimento e poupança caiu para 15,8% em 2014). O futuro pode ser pior do que o presente.

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