O socorro à Grécia

Os governos da zona do euro disseram, afinal, quanto poderão emprestar à Grécia para ajudá-la a vencer a crise ? e para reduzir as pressões sobre a própria moeda. A ajuda poderá chegar a 30 bilhões, com juros de 5% ao ano. O diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, saudou a decisão e declarou-se pronto para participar do socorro. A contribuição do Fundo é estimada em até 15 bilhões. As notícias, detalhadas no domingo, foram aparentemente bem recebidas no mercado financeiro. Os juros dos títulos gregos de 10 anos caíram de 7,2%, custo recorde alcançado na sexta-feira, para 6,57% nessa segunda. Hoje o governo da Grécia tentará lançar no mercado papéis no valor de 1,2 bilhão. Com essa operação, poderá aferir a receptividade do mercado depois do acordo anunciado em Bruxelas pelo primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker.

, O Estado de S.Paulo

13 Abril 2010 | 00h00

Talvez a Grécia não precise tomar emprestado todo o dinheiro posto à sua disposição pelos governos da zona do euro. O pacote ainda não corresponde a um financiamento, esclareceu ontem o porta-voz do Ministério das Finanças da Alemanha. Em princípio, o governo grego tentará conseguir no mercado os créditos necessários para manter em dia seus compromissos. A disposição de fornecer até 30 bilhões, anunciada pelos ministros, servirá, na hipótese mais otimista, como estímulo aos financiadores privados. Os países da zona do euro terão, nesse caso, o papel de avalistas.

Na prática, a solução do problema poderá ser mais complicada. O governo grego terá de convencer os credores de sua disposição de arrumar as próprias contas e da eficiência de seu programa de ajuste. A dívida pública da Grécia equivale a 113% do PIB. O governo promete reduzir o déficit fiscal, até o fim do ano, para 8% do PIB. Para isso, precisará fechar cerca de um terço do rombo estimado anteriormente.

As autoridades gregas enfrentaram greves e manifestações de rua, nos últimos dois meses, depois de apresentar suas metas de ajuste e de prometer um duro corte de gastos. O cenário político parece agora mais tranquilo, mas nada garante uma travessia sem novas turbulências nos próximos meses.

Os governos europeus poderiam ter reagido mais prontamente para socorrer a Grécia e para reduzir as pressões sobre o euro, moeda usada por 16 países. Pecaram por hesitação e timidez. Algumas autoridades mostraram temor de enfrentar os eleitores. Como convencê-los a pôr a mão no bolso para ajudar um país encrencado por causa da má administração de suas finanças? Acreditava-se que a maior resistência seria encontrada entre os alemães.

A hesitação, no entanto, poderia produzir resultados graves para todo o bloco. Não se poderia simplesmente aceitar a hipótese de jogar a Grécia pela borda, reduzindo a 15 os países da zona do euro. Outros países também têm contas públicas em mau estado e o desastre grego poderia ser apenas o primeiro de uma série. Alguns governantes avaliaram a situação com realismo e decidiram propor o caminho mais seguro, apesar das dificuldades formais. Um acordo entre os chefes de governo da França e da Alemanha abriu caminho para a elaboração do pacote de socorro.

O bloco europeu não poderia resgatar um país em dificuldade financeira, mas seus membros seriam livres para montar um programa de créditos bilaterais. A saída era mais ou menos evidente. Mas foi preciso vencer outro obstáculo. Os governos europeus tentaram de início evitar a participação do FMI. Dirigentes do Banco Central Europeu também defenderam uma solução interna. Acabaram, com realismo, eliminando mais esse entrave. Por que não o fariam, se outros membros da União Europeia, como a Polônia, recorreram ao Fundo no começo da crise internacional?

A percepção do perigo e a noção de urgência parecem ter prevalecido. A Grécia precisa refinanciar 22 bilhões até o fim de maio. Até o fim do ano poderá ter de rolar 53 bilhões. Há poucos dias a Fitch rebaixou a classificação do país de BBB+ para BBB-, com tendência de queda. O tempo ficou muito curto para continuar com firulas.

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