O Tesouro muda sua tática para a dívida pública

O total de emissões da dívida pública federal em junho, no valor de R$ 36,8 bilhões, foi inferior aos resgates, que somaram R$ 52,7 bilhões. Embora favorável, esse fato influiu pouco no estoque da dívida pública, que acusou redução de apenas 0,1%.

, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2010 | 00h00

A novidade é que o estoque, na casa de R$ 1,512 trilhão, apresentou evoluções diferentes no que se refere à Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) e à externa (DPFe). Enquanto a primeira, que responde por 94% do total da dívida federal, apresentou redução de 0,20%, a segunda, no valor de R$ 95,9 bilhões, cresceu 1,11%.

Isso sinaliza uma modificação na política do Tesouro Nacional, que antes dava preferência à dívida interna. É uma mudança que se poderia justificar por diversas razões, num momento em que o Brasil goza de certo prestígio no mercado financeiro internacional. Nota-se, por exemplo, que o prazo médio da dívida externa é de 6,01 anos, ante 3,4 anos para a interna; os vencimentos para os próximos 12 meses representam 12,76% do estoque da dívida externa, ante 26,99% para a dívida interna. A grande diferença, porém, está no custo médio: o da dívida interna é de 10,90% ao ano, ante apenas 2,27% ao ano da dívida externa.

No entanto, não se pode ignorar que no caso da dívida externa existe um grande risco cambial, uma vez que no futuro venha a ocorrer uma desvalorização cambial, que criaria um aumento de custo proporcional à desvalorização. Esse risco se tornou mais plausível por conta da deterioração observada nas transações correntes do balanço de pagamentos.

A recente situação do mercado internacional impôs um aumento do custo anual, de 2,05%, em maio, para 2,27%, em junho. Além do mais, não se pode menosprezar o fato de que a dívida externa total, de US$ 218 bilhões em maio, deve ter aumentado bastante em junho, podendo ser considerada muito elevada pelo mercado internacional. É que, apesar de reservas internacionais de US$ 25o bilhões, o déficit das transações correntes ameaça torná-las insuficientes em pouco meses - circunstância que, no mínimo, levaria os investidores estrangeiros a exigir maiores juros.

Mais uma vez é necessário destacar que, numa dívida pública que deverá crescer nos próximos meses, a redução do estoque de 0,1% poderia ter sido maior, não fosse a apropriação de juros num valor de R$ 13,83 bilhões na dívida, um valor muito próximo do pagamento de R$ 15,8 bilhões, o que mostra a necessidade de um maior superávit primário.

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