O Trem Intercidades

Ao contrário do Trem de Alta Velocidade (TAV) - iniciativa do governo federal para ligar Rio, São Paulo e Campinas, que se arrasta há anos -, o projeto do Trem Intercidades do governo paulista, mais modesto, de velocidade média, está bastante adiantado. Será uma malha ferroviária de 430 km, ligando várias cidades da região mais rica do País. O vice-governador Guilherme Afif Domingos, que preside o Conselho Gestor de Parcerias Público-Privadas (PPPs) do Estado, garante que o processo licitatório estará encerrado até outubro e as obras começarão em 2014. A estimativa para a sua conclusão é de três anos.

O Estado de S.Paulo

05 Maio 2013 | 02h07

Esse tipo de trem há muito faz parte dos sistemas de transporte coletivo de vários países europeus, nos quais desempenha papel de grande importância, em perfeita integração com os Trens de Alta Velocidade, como se espera que aconteça também aqui. A uma velocidade média de 120 km/hora, podendo chegar a 160 km/hora, o Trem Intercidades terá inicialmente dois trajetos. O primeiro ligará a capital a Campinas, Americana, Jundiaí, Santo André, São Bernardo, São Caetano e Santos. O segundo fará a ligação de São Paulo com Sorocaba, São Roque, São José dos Campos, Taubaté e Pindamonhangaba.

A única decisão importante relativa ao projeto ainda em estudos - e da qual deverá participar também a Prefeitura - é sobre onde será a estação central na capital, que vai integrar o Intercidades ao metrô, por meio da futura Linha 6, e ao TAV. A escolha está entre a Estação da Luz, a Água Branca e o Campo de Marte. Neste último caso, será preciso uma extensão do metrô até o local.

O otimismo do governo com o Intercidades se deve ao interesse que ele vem despertando no setor privado. Uma prova disso, segundo Afif Domingos, foi a Manifestação de Interesse Privado apresentada pelo Banco BTG Pactual e a empresa Estação da Luz Participações, que formularam o projeto, a ser executado pelo sistema PPP. Os estudos técnicos detalhados deverão ser entregues ao governo até julho. Seu custo, de R$ 18 bilhões, será bancado pelo setor privado (R$ 14 bilhões) e o governo do Estado (R$ 4 bilhões, "já previstos no orçamento"). Depois de lembrar que "São Paulo tem experiência de 20 anos em concessões e é aqui que se concentram 70% do poder de decisão dos investimentos do País", disse o vice-governador que já há várias empresas interessadas no negócio.

A região a ser servida pelo trem concentra 25% do PIB do País, o que mostra a importância do projeto. Calcula-se que perto de 2 milhões de pessoas se deslocam diariamente entre aquelas cidades para trabalhar ou estudar, sendo a capital o principal centro de atração. A consequência desse movimento são enormes congestionamento nas estradas da região, em especial as grandes rodovias, nos horários de pico da manhã e do final da tarde e começo da noite, porque o carro e o ônibus são os meios de transporte da maioria daquelas pessoas.

O oferecimento de transporte rápido - nem o carro nem o ônibus podem concorrer com trem de velocidade média de 120 km/hora, com possibilidade de atingir 160 km/hora - vai certamente levar muitos a deixarem seus carros em casa. E o preço da tarifa, estimado em R$ 15 por trecho, é outro poderoso estímulo, tendo em vista os custos de quem utiliza carro - combustível, pedágio, manutenção do veículo.

A formação de grandes concentrações urbanas - como a que será atendida pelo Trem Intercidades - é uma tendência registrada em todo o mundo. Nesse ponto, o Brasil - e São Paulo, que tem a maior dessas concentrações - está muito atrasado no que se refere à institucionalização das regiões metropolitanas e ao oferecimento de serviços. Entre esses, um dos principais é o transporte coletivo, cujas deficiências entre nós são notórias.

Tudo isso deixa evidente a importância do projeto do trem de média velocidade para facilitar os deslocamentos na região e favorecer a sua efetiva integração. Se levado a bom termo, como se espera, ele será também um exemplo para as concentrações urbanas de outros Estados.

Mais conteúdo sobre:
editorial

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.