Objetivos do Milênio

Há duas décadas, quase metade da população dos países em desenvolvimento vivia em extrema pobreza. Era 1,9 bilhão de pessoas nessa situação. Em 2015, o número reduziu-se para 836 milhões, afirma a Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Ban Ki-moon, secretário-geral da instituição, “após ganhos profundos e consistentes, sabemos agora que a extrema pobreza pode ser erradicada em uma geração”.

O Estado de S. Paulo

09 Julho 2015 | 03h00

Erradicar a extrema pobreza e a fome é a primeira das oito metas estabelecidas na Declaração do Milênio, feita em 2000 com o apoio de 191 nações. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – como ficaram conhecidas as oito metas – incluem também garantir acesso universal à educação básica, promover a igualdade entre os sexos e o empoderamento das mulheres, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater a aids, a malária e outras doenças, garantir a sustentabilidade ambiental e desenvolver uma parceria mundial pelo desenvolvimento.

Ao longo desses 15 anos, a ONU acompanhou a persecução dos objetivos nos cinco continentes e, de acordo com o seu mais recente relatório sobre os oito objetivos, “com intervenções específicas, estratégias sólidas, recursos adequados e vontade política, até mesmo os países mais pobres fizeram progressos”. Para Ban Ki-moon, “os objetivos do milênio têm contribuído enormemente para esse progresso e nos ensinaram como os governos, empresas e sociedade civil podem trabalhar juntos para conseguir avanços transformacionais”.

De fato, os resultados apresentados são animadores. A taxa de mortalidade infantil (até o 5.º ano de idade) reduziu-se pela metade. Em 1990, eram 90 mortes por mil nascidos vivos. Agora, são 43. Houve também declínio de 45% na mortalidade materna. A ONU estima que mais de 6,2 milhões de mortes por malária foram evitadas desde o ano de 2000, e que 37 milhões de vidas foram poupadas em razão de melhorias na prevenção, diagnóstico e tratamento da tuberculose entre 2000 e 2013. A ONU menciona também que 2,1 bilhões de pessoas têm agora acesso a melhor saneamento básico.

Segundo o relatório, também houve expressiva melhora na igualdade de gênero na educação desde 2000 – a paridade de gênero no ensino primário foi alcançada na maioria dos países – e aumentou a participação das mulheres na representação parlamentar.

No entanto, a ONU reconhece que muitas desigualdades ainda persistem e os avanços são muito desiguais entre os países e regiões. Os conflitos continuam sendo a principal ameaça ao desenvolvimento humano. Por exemplo, nos países afetados por guerras, cresceu a proporção de crianças fora da escola. Em 1999, eram 30%; em 2012, 36%.

Também permanece como um grande desafio a igualdade de gênero. Em muitos países, as mulheres continuam sendo discriminadas no acesso ao trabalho e a bens econômicos e na participação na tomada de decisões públicas e privadas.

A extrema pobreza continua sendo problema grave – são quase 900 milhões de pessoas nessa situação. Há também sérias questões ambientais. Segundo a ONU, as emissões de dióxido de carbono cresceram mais de 50% desde 1990 e atualmente a escassez de água afeta 40% das pessoas no planeta, com o risco de que esse porcentual aumente ainda mais.

Impulsionada pelos avanços obtidos – e também pelos desafios que ainda persistem –, a ONU almeja agora estabelecer com os países uma nova agenda de desenvolvimento sustentável. “A emergente agenda de desenvolvimento pós-2015, incluindo o conjunto de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), aspira a ampliar nossos sucessos e colocar todos os países, juntos, com firmeza, no caminho certo rumo a um mundo mais próspero, equitativo e sustentável”, afirmou o secretário-geral da ONU.

A experiência dos objetivos do milênio é muito positiva e merece ser replicada em diversas esferas. Ela mostra a importância de definir metas claras e audazes e de acompanhá-las com persistência. No desenvolvimento social, não há fórmulas mágicas, mas também não há impossíveis.

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