OIT mostra queda de 10% dos salários reais no biênio 2015/2016

No mundo, o crescimento real dos salários foi o menor em quatro anos, saindo de alta de 2,5% em 2012 para 1,7% em 2015, mas, quando comparado com a situação brasileira, é um resultado muito positivo

O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2016 | 03h04

Os salários médios reais pagos no Brasil caíram 3,7% em 2015 e deverão cair 6,2% neste ano, acumulando 10% no biênio, informa a Organização Internacional do Trabalho (OIT) no estudo Panorama do Trabalho na América Latina e Caribe, distribuído há alguns dias. Brasil e Venezuela, sob forte recessão, arrastaram para baixo os indicadores da região – cuja taxa média de desemprego aumentou de 6,1% em 2014 para 6,6% em 2015 e é estimada pela OIT em 8,1% neste ano e em 8,4% em 2017. O mercado de trabalho não só piorou, como é ruim a tendência para 2017.

Entre 2015 e 2016 cresceu de 20 milhões para cerca de 25 milhões o número de desempregados, pior indicador desde o início da década passada. Houve deterioração não só do salário, mas da qualidade do trabalho, com mais informalidade e atividade por conta própria, ou seja, queda do trabalho formal. Puxado por Brasil, Venezuela, Argentina e Equador, o PIB regional caiu 0,6% no ano passado e deverá cair 0,9% neste. A situação é pior na América do Sul, pois na América Central, no México e no Caribe houve crescimento.

O relatório da OIT, feito com base em estatísticas do Fundo Monetário Internacional e dados de cada país, expõe o custo das políticas econômicas equivocadas para o mercado de trabalho. Países com maiores desequilíbrios fiscais, monetários e cambiais e que usaram e abusaram de políticas populistas foram os que mais destruíram vagas e onde houve maior perda para os salários reais.

As dificuldades são mais agudas em algumas regiões emergentes. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, por exemplo, o crescimento econômico deverá cair de 2,6% e 2,2% em 2015 para 1,6% e 1,8% neste ano, segundo o FMI, mas para a América Latina e Caribe a previsão é de queda de 0,6% no PIB. Para 2017, prevê-se que a região cresça 1,6%, mas apenas 0,5% no Brasil.

No mundo, o crescimento real dos salários foi o menor em quatro anos, saindo de alta de 2,5% em 2012 para 1,7% em 2015, mas, quando comparado com a situação brasileira, é um resultado muito positivo.

Da evolução do salário depende o consumo das famílias, principal componente do PIB do País (64%), e a retomada econômica.

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