Os 50 anos da Fapesp

Criada em 1962 com os mesmos ideais que propiciaram a formação da Universidade de São Paulo (USP), em 1934, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) está completando meio século de vida, investindo em projetos destinados a internacionalizar as atividades acadêmicas e científicas de centros de estudos e universidades paulistas. Os programas por ela patrocinados, só na área de meio ambiente, envolvem 200 pesquisadores e 500 alunos de pós-graduação de 16 instituições de ensino, além de 80 colaboradores do exterior.

O Estado de S.Paulo

13 Março 2012 | 03h08

Quando a Fapesp foi criada, a consolidação do parque industrial paulista exigia a expansão de pesquisas tecnológicas e a USP, com problemas de orçamento, não tinha condições de financiá-las com recursos próprios. Para não deter a industrialização de São Paulo, o governador Carvalho Pinto negociou com a Assembleia Legislativa a aprovação de um projeto de lei que destinava à Fapesp 1% da receita tributária industrial, permitindo-lhe, assim, financiar programas regulares de pesquisa científica. Além disso, naquela época, o governo destinou vultosa quantia para que a agência aplicasse em imóveis e no mercado de capitais, usando aluguéis, juros e dividendos para financiar bolsas de pós-graduação no País e no exterior.

Em 2010, a Fapesp investiu R$ 780 milhões em pesquisa. No ano passado, a receita foi de R$ 912 milhões. Graças a isso, a agência não tem problemas de fluxo de caixa, é imune a pressões políticas e pode fazer planejamento de médio e de longo prazos.

Depois de ter financiado nas décadas de 1990 e 2000 o projeto Genoma - o primeiro mapeamento genético desenvolvido fora do eixo EUA-Europa-Japão, envolvendo 35 laboratórios de pesquisa paulistas, e que foi decisivo para modernizar a citricultura brasileira e aumentar as exportações do setor -, a Fapesp decidiu, na década de 2010, ampliar o número de acordos científicos com outros países e dar prioridade aos projetos com maior interface internacional. "O desafio é aumentar a qualidade da pesquisa paulista e elevar sua visibilidade mundial", diz Carlos Brito Cruz, diretor científico da entidade.

Há dois meses, a Fapesp patrocinou um simpósio em Washington, reunindo pesquisadores brasileiros e americanos, com o objetivo de estimular a formação de parcerias em linhas de pesquisa. A Fapesp mantém parcerias com 23 agências de financiamento, 22 instituições de ensino superior e pesquisa científica e 17 empresas de países como Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Canadá, Holanda, Suíça e Israel.

Essas iniciativas levaram não só a USP, mas a Unicamp, a Unesp e as mais tradicionais instituições de ensino superior de São Paulo a se tornarem responsáveis por 51% das pesquisas de ponta em andamento no País, em quase todas as áreas do conhecimento.

O êxito da Fapesp se deve a duas providências tomadas na época de sua criação. A primeira providência foi concebida para evitar que a agência fosse contaminada pelo empreguismo e pelo aparelhamento político. Pela lei que a criou, os custos administrativos da Fapesp não podem exceder 5% do valor investido em pesquisa. A segunda medida foi propiciar o envolvimento da academia e da comunidade científica nas decisões da agência. Cada área do conhecimento tem uma comissão de docentes e pesquisadores responsável pelo julgamento dos pedidos de bolsa e cada pedido é avaliado por professores reconhecidos como os mais capazes por seus pares. Os membros das comissões recebem um pro labore simbólico e os avaliadores ou pareceristas trabalham de graça.

Embora a comunidade científica e acadêmica reivindique mais estímulos para parcerias entre universidades e empresas e haja quem considere os procedimentos administrativos da Fapesp lentos, quando comparados com o processo decisório das principais agências mundiais de fomento à pesquisa, a agência é considerada a mais importante do País. Em meio século, ela se tornou um centro de excelência que deve servir de modelo.

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