Os baderneiros

Depois de se infiltrar nas manifestações de protestos, praticando atos de violência para provocar a repressão policial, os integrantes do Black Bloc agora investem contra alvos específicos. A última ofensiva do grupo ocorreu na noite da sexta-feira, quando pouco mais de cem manifestantes mascarados interditaram a Avenida Marginal do Pinheiros, queimaram exemplares da revista Veja - que havia publicado uma reportagem sobre o movimento - e lançaram pedras contra o prédio da Editora Abril. Antes de chegar ao local, os manifestantes já haviam ameaçado o segurança de uma loja de carros importados, que chegou a sacar um revólver.

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2013 | 02h04

Depois do confronto com a Polícia Militar, que os reprimiu com bombas de gás lacrimogêneo, os integrantes do Black Bloc se dispersaram e passaram a atacar em pequenos grupos, apedrejando viaturas policiais, destruindo agências bancárias na Avenida Faria Lima, depredando lojas de móveis, destruindo os vidros da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, incendiando um automóvel e agredindo moralmente os repórteres que cobriam os incidentes. O pretexto invocado pelos Black Blocs para essa demonstração de vandalismo foi a "democratização da mídia" e a crítica da "grande imprensa".

Esses pretextos mudam conforme a ocasião e as conveniências do grupo, que diz professar o anarquismo e defende "a propaganda pela ação". O movimento Black Bloc surgiu no final da década de 1960 na Alemanha e na Itália. Cresceu na década de 1990 em Berlim, principalmente após a queda do Muro, em 1989, e durante a reconstrução da cidade. E ganhou destaque no mundo inteiro a partir de 2000, ao promover violentas manifestações de protesto nas reuniões de organismos multilaterais.

Para seus integrantes, que usam máscaras para não serem identificados e acionados judicialmente por seus atos de vandalismo, as depredações de fachadas de agências bancárias, de concessionárias de automóveis, lojas de grifes, shopping centers, sedes de governo e de "tudo o mais que simboliza a opressão capitalista" são uma "estratégia para enfraquecer o sistema econômico".

Com a transgressão sistemática da ordem estabelecida e a afronta ao império da lei, como ficou evidenciado na manifestação de protesto em frente ao Hospital Sírio-Libanês, quando bloquearam o acesso de médicos e pacientes ao pronto-socorro, o Black Bloc não tem noção de limite.

Seus membros são levados pela intolerância, agindo de forma acintosamente ilegal e antissocial. Ao recorrer ao radicalismo e à destruição como instrumentos para defender "espaços criados por ações de massa", intimidando fisicamente quem diverge de suas ideias e de seus métodos e criando um clima de instabilidade institucional, os ativistas do grupo - que estão anunciando um "badernaço nacional" para 7 de setembro, durante as comemorações da data da Independência - nada têm de democratas. Também não são heróis sociais, que defendem os fracos contra os fortes. São apenas fascistas.

Atos de vandalismo como os que têm sido cometidos pelo Black Bloc nos últimos três meses precisam ser reprimidos pelas autoridades públicas. O que caracteriza o Estado de Direito é a primazia da lei e da segurança jurídica - e em seu âmbito não há qualquer argumento político ou ideológico que justifique a impunidade de quem ameaça fisicamente, agride moralmente, incendeia, destrói e dissemina a insegurança e o medo.

Surpreendidas com as manifestações ocorridas em junho, as autoridades de segurança pública não agiram com a devida prudência e destreza, por não saber distinguir na polifônica "voz das ruas" os protestos legítimos e as indignações procedentes de atos inconsequentes e ódio destrutivo.

Depois da violência praticada na última sexta-feira na frente da sede da Editora Abril e da ameaça de baderna em todo o País nas festas da Independência, a polícia não pode continuar sendo leniente com quem transgride a lei para corroer a democracia.

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