Os benefícios ilusórios da grande captação externa

Os países emergentes foram muito favorecidos neste ano pela conjuntura internacional, graças à queda de atividade nos países do Primeiro Mundo, que lhes permitiu dispor da liquidez para eles desviada. O Brasil destacou-se nesse cenário em razão do excepcional dinamismo da sua economia, e, pelo que se dispunha a pagar de juros, foi o país que mais conseguiu captar recursos no exterior.

, O Estado de S.Paulo

21 Dezembro 2010 | 00h00

Segundo o jornal Valor, até o dia 14 de dezembro essa captação externa atingiu US$ 56 bilhões, incluindo os empréstimos soberanos, a colocação de bônus pelas empresas brasileiras e o empréstimo ponte da Vale do Rio Doce para financiar a aquisição de uma mineradora.

Essa captação foi US$ 35,9 bilhões maior que a do ano anterior. Segundo outras fontes, que levam em conta apenas as emissões corporativas brasileiras , elas atingiram, neste ano, US$ 34 bilhões, contra US$ 21 bilhões em 2009.

Esse valor é o maior registrado por um país emergente, à frente da Rússia (US$ 24,9 bilhões), do México (US$ 19,5 bilhões), da Coreia do Sul e de Hong Kong, cada um com US$ 15,4 bilhões.

A captação excepcional do Brasil encontra explicação no fato de que nosso país tem as taxas de juros mais elevadas do mundo e uma taxa cambial muito valorizada. Por outro lado, acusa um déficit nas transações correntes do seu balanço de pagamentos que está, neste ano, em torno de US$ 50 bilhões e que precisa ser coberto pela entrada de capitais.

Não há dúvida de que a solução para o déficit seria o aumento dos investimentos diretos estrangeiros, cuja vantagem é aumentar o Produto Interno Bruto, criando empregos e, em certos casos, aumentando as exportações ou diminuindo as importações, com efeito positivo sobre a conta de transações correntes.

A emissão de bônus pelas empresas ou pelo governo tem um preço e que, enquanto temos uma taxa cambial valorizada, é muito inferior aos juros nacionais, porém apresenta um grande risco na medida em que poderá acontecer uma desvalorização do real ante o dólar. Muitas empresas conscientes desse risco cambial realizam operações de hedge para se proteger contra tal risco, o que aumenta o custo da operação.

Talvez o maior inconveniente dessas emissões de bônus é que aumentam a oferta no mercado cambial de divisas estrangeiras e contribuem dessa forma em aumentar a valorização do real, levando assim o governo a formar reservas internacionais que têm um custo elevado.

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