Os dados que balizarão a nova decisão do Fed

Não será surpresa se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevar a sua taxa de juros, atualmente em 1,25% ao ano, na reunião de seu Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc)

O Estado de S.Paulo

05 Dezembro 2017 | 03h12

Não será surpresa se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevar a sua taxa de juros, atualmente em 1,25% ao ano, na reunião de seu Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) marcada para os dias 12 e 13 de dezembro. Em seu recente pronunciamento perante o Congresso, a atual presidente do Fed, Janet Yellen, não disse claramente que isso vai ocorrer, limitando-se a declarar que a instituição continuará mantendo sua trajetória de elevação gradual dos juros. Mais específico, Jerome Powell, indicado pelo presidente Donald Trump para substituir Yellen a partir de 2018, já afirmou publicamente que é a favor de um aumento dos juros ainda este ano.

Seja como for, são conhecidas as razões para um novo aumento dos juros pelo Fed em futuro próximo. Segundo os últimos dados do Departamento de Comércio, a economia americana teve um crescimento anualizado de 3,3% no terceiro trimestre; a taxa de desemprego caiu para 4,1%; e o núcleo da inflação (excluindo energia e alimentos) estava em 1,3% em setembro, abaixo da meta de 2%. Um ambiente de forte demanda como este poderia acabar levando à criação de uma perigosa bolha nos mercados financeiro e de ações. Os riscos tendem a aumentar com a efetivação dos cortes de impostos propostos por Trump, que pressionarão o endividamento público.

Uma nova alta dos juros nos EUA acentuará a fuga de capitais especulativos de mercados emergentes, como o Brasil. Isso pode gerar dificuldades para o financiamento da dívida pública e pode ter efeito sobre a taxa de câmbio, que tenderia a desvalorizar-se diante do dólar. Tais movimentos implicariam aumento de custos para as empresas endividadas em dólar e menor vantagem para buscar empréstimos no exterior. A depender da intensidade, a desvalorização do real poderia ter efeitos inflacionários.

Contudo, a situação não seria dramática, mesmo porque a política de aperto monetário não seria posta em prática abruptamente. O Fed sob a chefia de Powell tende a seguir a mesma linha gradualista adotada na gestão de Yellen. Deve-se considerar, ainda, que a situação cambial do Brasil é bastante sólida, com baixo nível de déficit em conta corrente do balanço de pagamentos e alto estoque de reservas cambiais.

O que pode, sim, agravar o quadro é a evolução política do País num ano eleitoral, como será 2018.

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