Os desafios de Alckmin

Missão começa pela necessidade de reverter a desmoralização e o descrédito do PSDB

O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 03h04

Ao assumir a presidência do PSDB como resultado de uma articulação política destinada a recompor a unidade partidária e devolver aos tucanos um mínimo de competitividade eleitoral em âmbito nacional, o governador Geraldo Alckmin, pré-candidato à Presidência da República, encara um enorme desafio que começa pela necessidade de reverter a desmoralização e o descrédito da legenda que, não faz muito tempo, era considerada a principal força partidária capaz de polarizar, com o populismo lulopetista, a luta pelo poder. Treze anos de governo petista fizeram muito mal ao País e ao próprio PT, hoje mais dependente do que nunca do carisma do grande líder. Mas o PT se desmoralizou no poder. Já os tucanos conseguiram a proeza de se desmoralizar na oposição a um governo incompetente e, mais recentemente, na ambiguidade de sua posição em relação ao governo Temer, da qual a incapacidade de se unir para aprovar a reforma da Previdência é o melhor exemplo.

Na hora da decisão marcada para outubro do próximo ano, ao final de uma campanha eleitoral que já começa radicalizada, dificilmente os brasileiros verão com simpatia a indecisão política que, desde que deixou o poder em 2003, tem marcado a atuação do PSDB. Alckmin, de perfil moderado e conciliador, terá que ser capaz de tirar os tucanos de cima do muro se quiser convencer os eleitores de que será capaz também, com a mesma determinação e os mesmos propósitos reformistas, de governar o País. Principalmente quando se leva em conta a gravidade da crise que o atual governo tem enfrentado com resultados animadores refletidos nos indicadores econômicos. Essas conquistas, aliás, não têm contado com uma contribuição tucana condizente com o desempenho do PSDB nos históricos tempos do Plano Real nem com a proficiência com a qual o partido administra o Estado de São Paulo há mais de duas décadas.

Uma vez unido de fato o partido em torno de seu nome como candidato à Presidência da República, caberá a Alckmin afirmar-se como tertius verdadeiramente competitivo entre os dois extremos radicais que polarizam no momento o debate pré-eleitoral. Nada garante que os dois pré-candidatos que hoje lideram as pesquisas eleitorais, Lula da Silva e Jair Bolsonaro, passem para o segundo turno em outubro. Ao petista não bastará conquistar os votos. Antes disso terá de escapar da cadeia. Ao outro radical poderá se tornar um obstáculo intransponível a falta de apoio político-partidário que resultaria em tempo insuficiente no horário eleitoral gratuito.

De qualquer modo, para que o governador paulista chegue ao segundo turno, desde logo precisa mostrar-se competitivo e, consequentemente, melhorar o desempenho nas pesquisas eleitorais. Para tanto, terá que demonstrar seu comprometimento com as reformas indispensáveis à retomada do crescimento econômico e, consequentemente, ao desenvolvimento social. Será o momento de opor corajosamente ao voluntarismo populista – que parte do princípio de que o Estado Provedor e Onipotente é capaz de abrir as portas do Paraíso –, programas e projetos, alguns certamente impopulares, capazes de impor austeridade e eficiência à gestão pública a serviço dos verdadeiros interesses do País. Isso implica não negligenciar a atenção que deve ser dedicada aos segmentos mais carentes da população.

É óbvio que Geraldo Alckmin não será capaz de participar competitivamente da campanha presidencial se não tiver o respaldo integral de seu partido, numa demonstração de que como presidente da República será sustentado por um núcleo político fiel, capaz de ampliar o arco de alianças necessárias à sustentação parlamentar de um projeto de governo consensual e coerente. Não é fácil imaginar que isso possa acontecer a partir da realidade de hoje no PSDB. Para mencionar o exemplo mais significativo, Alckmin defende a reforma da Previdência, mas apenas 7 dos 46 deputados da bancada tucana na Câmara garantem que votarão a favor do projeto do governo. Com quantos deles o governador poderá contar para se tornar presidente daqui a 10 meses?

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