Os EUA correm na frente

Com crescimento previsto de 1,7% neste ano e 2,7% no próximo, a economia americana, a maior do mundo, continuará liderando a recuperação das potências mais desenvolvidas - talvez acompanhada de perto pelo Japão. Na zona do euro a crise continuará severa ainda por algum tempo, com produção em ritmo lento e alto desemprego pelo menos até 2015. Pode-se montar este quadro resumido com os últimos relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre os países mais avançados. Para dar um pouco mais de movimento ao cenário é preciso um detalhe: além de arrancar na frente, os Estados Unidos poderão sair da crise com uma indústria mais eficiente e mais competitiva. Seu setor empresarial retomou mais cedo os investimentos tanto em capacidade produtiva como em inovação e a exploração do xisto como fonte energética poderá ser uma importante fonte de redução de custos.

O Estado de S.Paulo

27 Julho 2013 | 02h11

Sem acordo político sobre o ritmo e a forma de ajuste das contas públicas, o governo foi obrigado a aceitar um corte severo dos gastos federais. Isso explica, em boa parte, a redução do crescimento, de 2,2% no ano passado para uma taxa provável de 1,7% neste ano. Apesar disso, os sinais de dinamismo permanecem fortes, o mercado imobiliário volta a crescer e a criação de empregos continua. Um dado especialmente importante, apontado no relatório do FMI, é o avanço do investimento. O valor investido em equipamentos e instalações deve aumentar 4,3% neste ano e 7,8% em 2014, puxado pelo setor privado.

O relatório do Fundo contém uma ampla análise das transformações no setor produtivo, incluído o desenvolvimento recente da exploração de combustível de xisto, uma provável fonte de redução de custos. Sem respostas definitivas, mas a partir de uma análise bem informada, os autores do relatório dão como provável uma renovada importância do setor industrial no crescimento econômico e no comércio externo. A indústria continua proporcionando cerca de 75% do investimento privado em pesquisa e desenvolvimento, mais de 50% da receita de exportações e ainda é a principal fonte de empregos bem remunerados.

Os formuladores da política econômica brasileira, mais ocupados em estimular o consumo do que o aumento da capacidade produtiva, deveriam dar uma espiada nesses pontos do relatório. Mas talvez precisassem pedir licença ao gabinete presidencial. Segundo a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, o Brasil é credor do FMI e pode dispensar seus palpites. Os políticos americanos de escalão mais alto parecem mais modestos. Não reagem tão duramente, mesmo quando o pessoal do FMI sugere, por exemplo, um novo esquema de ajuste fiscal, com mais espaço para despesas a curto prazo, e muito cuidado na mudança da política monetária.

Para a zona do euro, os técnicos do FMI projetam para este ano uma contração econômica de 0,6%, igual à do ano passado. O crescimento poderá chegar a 0,9% em 2014 e a 1,3% em 2015. O desemprego deve continuar muito alto - 12,3% neste ano, 12,4% em 2014 e 12,1% em 2015. Nos Estados Unidos, a taxa deverá cair de 7,6% em 2013 para 7,3% no próximo ano. Também foram formulados palpites para os europeus. É preciso avançar nas reformas, para tornar as economias mais eficientes, e, ao mesmo tempo, adotar políticas fiscais mais favoráveis ao crescimento a curto prazo e mais severas na etapa seguinte.

Esta sugestão havia sido formulada há mais de um ano, para as economias com situação fiscal menos complicada. Mas havia sido rejeitada pelo governo da Alemanha, o país mais forte da região. O pessoal do Fundo insiste na recomendação, repetindo um ponto de vista aprovado, em termos gerais, em reunião ministerial do Grupo dos 20, há poucos dias, na Rússia.

Do outro lado do mundo, a China se mantém como a economia de crescimento mais rápido, mas forçada a ajustes para evitar consequências mais sérias do endividamento público e privado. As notícias mais animadoras, nesse quadro, são mesmo as dos Estados Unidos.

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