Os investimentos da Petrobrás

Ao pedir à diretoria da Petrobrás "estudos e análises adicionais" para, só depois de apresentado esse material, examinar e aprovar o plano de investimentos da empresa até 2015, o Conselho de Administração da estatal deu uma forte indicação de que deseja a redução desses investimentos. O diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, reconheceu, em nota divulgada pela empresa, que um dos estudos pedidos pelo Conselho se refere a corte de investimentos, embora não tenha feito nenhuma referência a valores.

, O Estado de S.Paulo

22 Maio 2011 | 00h00

Se efetivamente reduzir a projeção de seus investimentos nos próximos anos, a empresa estará se alinhando - por imposição de seu Conselho de Administração, no qual o governo tem maioria - à política de ajuste fiscal anunciada pela administração Dilma e, sobretudo, reduzindo seus ambiciosos planos de investimento em exploração, especialmente na área do pré-sal.

Desse modo, a Petrobrás estará sendo mais "realista", como sugeriu um dos membros do Conselho, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. De acordo com Coutinho, foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do Conselho de Administração, quem pediu uma meta mais realista de investimentos. Coutinho disse também que o Conselho pressiona a empresa para que ela seja eficiente, de forma a garantir o retorno dos projetos. A observação deixa subentendido que, na avaliação de alguns membros de seu Conselho, a Petrobrás não é eficiente nem gera os resultados esperados por seus acionistas.

São claras as indicações de que - talvez por "realismo", como o pedido por alguns conselheiros, que implica o adiamento de planos dispendiosos e de resultados duvidosos - a estatal está mudando o foco de seus investimentos.

Na área de produção, a Petrobrás passará a concentrar os investimentos mais no desenvolvimento de poços já descobertos do que na exploração de novas áreas, anunciou o seu gerente de Relações com os Investidores, Helder Moreira Leite, em reunião realizada em São Paulo com analistas de mercado para detalhar o balanço da empresa no primeiro trimestre - que registrou lucro de R$ 10,9 bilhões, 42% maior do que o dos três primeiros meses de 2010. Assim, a empresa poderá produzir mais, ter mais receita e acumular recursos que poderão ser investidos em áreas novas. É uma decisão realista.

Leite reconheceu que, a partir de 2008, quando começaram a vencer os contratos exploratórios de áreas do pré-sal assinados com a Agência Nacional do Petróleo, os investimentos da empresa se concentraram na exploração. Nesse período, a prioridade era o estudo dos campos, com perfurações e testes para aferir o potencial comercial das áreas, o que permitiria a assinatura dos contratos de produção com a ANP.

Desde o último trimestre de 2010, porém, a estatal - que já tem um volume grande de descobertas e agora precisa aumentar a produção - investe proporcionalmente menos em exploração. Mas os valores aplicados têm sido decrescentes. No primeiro trimestre, por exemplo, investiu R$ 15,9 bilhões, 10,7% menos do que nos primeiros três meses de 2010. Essa redução pode ser o primeiro sinal de futuros cortes nos planos de investimentos da empresa - embora Almir Barbassa tenha dito há dias que a empresa pretende investir R$ 93 bilhões este ano, 22% mais do que em 2010. A imprensa tem noticiado que a versão inicial do Plano de Negócios 2011-2015 previa investimentos de US$ 268 bilhões - ou seja, US$ 42 bilhões a mais do que o previsto no plano para 2010-2014.

Para ajustar racionalmente seus planos a um nível menor de investimentos, a empresa deveria rever projetos decididos de acordo com critérios meramente políticos - como os que tem com parceiros da Bolívia, da Venezuela e da Argentina - e concentrar sua atuação naqueles mais rentáveis e necessários ao País. Ainda assim, seus planos continuarão gigantescos, como imensos são seus desafios para concretizá-los, pois precisará de mão de obra de alta qualidade e em grande quantidade e de uma ampla rede de fornecedores que ainda não constituiu.

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