Os riscos de uma democracia plebiscitária

Consultas populares são avessas a debates aprofundados

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2016 | 05h00

“Conservadores”, desses que habitam as redes sociais, comemoraram o resultado de plebiscitos recentes, como a rejeição do acordo de paz com as Farc na Colômbia ou a saída do Reino Unido da União Europeia. Mas conservadores como Edmund Burke ou James Madison sempre preferiram a democracia representativa à direta e desconfiavam dos plebiscitos. “Eles acreditavam em liderança política e na influência popular – nenhuma das duas estaria certa o tempo todo, mas o equilíbrio ajudaria a corrigir as falhas de ambas”, escrevem os cientistas políticos Christopher Achen e Larry Bartels no livro Democracy for Realists.

Consultas populares são avessas a debates aprofundados, reféns de máquinas de propaganda e do interesse de grupos específicos, em detrimento da maioria. Achen e Bartels citam plebiscitos americanos dos anos 1950 e 1960, que rejeitaram, por maioria superior a 60%, a adição de flúor à água, apesar do benefício comprovado à saúde dentária. Em Oakland, na Califórnia, mais de 73% da população aprovou uma medida que reduzia gastos com bombeiros. Anos depois, um incêndio devastador demorou a ser contido – deixou 25 mortos e 100 casas destruídas.

A imprensa em peso com Hillary

Já declararam apoio à candidatura Hillary Clinton: New York Times, Washington Post, Los Angeles Times, USA Today, Boston Globe e dezenas de outros jornais regionais, entre eles os tradicionalmente republicanos Arizona Republic, Cincinnati Enquirer e Dallas Morning News. No Wall Street Journal, uma integrante do conselho editorial disse apoiar Hillary.

Theresa May não é Margaret Thatcher

A premiê britânica, Theresa May, decepcionou quem acreditava que ela adotaria uma versão menos radical do “Brexit”. Para agradar ao eleitorado nacionalista, defendeu, na conferência do Partido Conservador, não apenas o controle da imigração, mas também um anátema para os Tories: a intervenção estatal na economia. Não faz sentido compará-la a Margaret Thatcher.

A espionagem, estilo Marissa Mayer

Não está claro o que motivou a CEO do Yahoo, Marissa Mayer, a autorizar, dois anos após as revelações de Edward Snowden, e à revelia da própria equipe de segurança, a varredura de e-mails para fornecer dados à Agência de Segurança Nacional (NSA). As empresas denunciadas por Snowden – Microsoft, Apple e Facebook – diziam agir sob mandado judicial, depois revogado. No Yahoo, a NSA encontrou agora outro meio para espionar.

Mark Zuckerberg aposta na África

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, fez uma visita surpresa à sede da empresa em Lagos, na Nigéria. Conheceu startups nigerianas e ensinou crianças de 7 e 8 anos a programar. Seu interesse, além de fortalecer a indústria de software na região, é disseminar o Free Basics, programa em favor do acesso universal à internet. Ops, ao Facebook.

O véu que encobre o xadrez

Uma questão atormenta os organizadores do campeonato mundial de xadrez de 2017, no Irã. A campeã americana e 98.ª colocada no ranking mundial, Nazi Paikidze, de 22 anos, afirmou que se recusa a usar o véu enquanto jogar, como determina a lei iraniana. Mais de 3 mil já subscreveram um abaixo-assinado solicitando que o evento mude de lugar ou que o traje não seja obrigatório.

A identidade fiscal de Elena Ferrante

O jornalista Claudio Gatti foi enxovalhado por revelar que Elena Ferrante, pseudônimo da italiana cujas vendas chegam a 4 milhões de exemplares, é na verdade Anita Raja, tradutora casada com o juiz e escritor napolitano Domenico Starnone. Gatti apontou uma tentativa de elisão fiscal na compra de uma cobertura de 230 metros quadrados na capital, Roma, registrada por Starnone em junho. Só nos últimos dois anos, Raja recebeu € 10,7 milhões.

Globalização

"Cabe a nós escrever um novo futuro. Deve ser de crescimento econômico não apenas sustentável, mas compartilhado" - Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, em artigo na Revista The Economist em defesa da globalização.

 

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