Para o BC, ritmo da economia era mais intenso até agosto

A questão é saber se o próximo IBCR, com dados até novembro e que será conhecido no início de 2017, confirmará a acomodação – ainda que em níveis baixos – ou mostrará o impacto negativo da recessão prolongada

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09 Dezembro 2016 | 03h10

Apesar das dificuldades causadas pelo desemprego, pela deterioração da renda e pela fraqueza do mercado de trabalho, a economia brasileira estava em estado de acomodação até agosto, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Regional (IBCR), divulgado há alguns dias. A questão é saber se o próximo IBCR, com dados até novembro e que será conhecido no início de 2017, confirmará a acomodação – ainda que em níveis baixos – ou mostrará o impacto negativo da recessão prolongada.

Para compor o IBCR, o Banco Central (BC) reúne informações do IBGE e de centros de pesquisas públicos e privados. Os dados são dessazonalizados.

No trimestre junho/agosto, segundo o BC, eram heterogêneas as condições das economias regionais. Após crescer 1,1% no trimestre encerrado em maio, a Região Norte avançou 1% em relação ao trimestre anterior, beneficiada pelo aumento da produção da indústria de transformação, com destaque para equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos e pela exportação de minério de ferro.

Também o Sudeste cresceu 0,5% no período, ajudado pelo comportamento da indústria. Mas o Nordeste caiu 1%, depois de recuar 1,5% no trimestre anterior, por conta da fraqueza do mercado interno. O Centro-Oeste e o Sul, influenciados pelo comportamento da agricultura, caíram, respectivamente, 2,1% e 1,1%, embora a indústria dessas áreas registrasse alguma recuperação.

Os principais problemas observados no trimestre junho/agosto advinham da perda de renda e da falta de crédito e de seus efeitos sobre o mercado de consumo, medido pelas vendas do comércio, afetando, em especial, itens de maior valor agregado, como veículos.

Em contrapartida, sinais de alta da confiança de empresas e consumidores foram constatados no Norte, no Sudeste e até no Nordeste, onde a situação parece mais difícil.

Na Bahia, o IBCR mostrou queda de 3,7%, influenciada pelo recuo de 14,4% na agropecuária e de 2,4% nos serviços. Já Pernambuco ficou no campo positivo, com alta de 0,5%.

O agravamento das disparidades regionais mostrado pelo BC é um mau sinal, podendo trazer novas dificuldades para a política econômica.

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