Parceria para o Comperj

Símbolo mais evidente dos desmandos e dos esquemas de corrupção que, durante a gestão do PT, drenaram bilhões da Petrobrás para contas bancárias de políticos, funcionários e dirigentes de empresas privadas, as obras paralisadas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) poderão ser retomadas

O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 03h15

Símbolo mais evidente dos desmandos e dos esquemas de corrupção que, durante a gestão do PT, drenaram bilhões da Petrobrás para contas bancárias de políticos, funcionários e dirigentes de empresas privadas, as obras paralisadas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) poderão ser retomadas. Com sua capacidade financeira destroçada pelos bilionários desvios que foram descobertos pela Operação Lava Jato, a Petrobrás decidiu interromper as obras em 2015, entre outras medidas que teve de adotar para superar sua grave crise financeira, e desde então o projeto está fora do planejamento estratégico da empresa. Era preciso, no entanto, encontrar uma solução que permitisse recuperar pelo menos parte dos cerca de US$ 13 bilhões aplicados nas obras e evitar a contínua deterioração do que já foi feito e que impõe mais perdas para a estatal. Essa solução parece ter sido encontrada com a parceria que a Petrobrás estabeleceu com a estatal chinesa China National Petroleum Company (CNPC).

As informações oficiais sobre o acordo, fechado em Pequim pelo presidente da Petrobrás, Pedro Parente, e pelo vice-presidente da CNPC, Wang Dongjin, são vagas. Em comunicado ao mercado, a Petrobrás informa apenas que os dois dirigentes assinaram um memorando de entendimento “para iniciar tratativas referentes a uma parceria estratégica”. Em outro comunicado, a estatal brasileira acrescenta que as duas empresas vão avaliar oportunidades “em áreas-chave de interesse mútuo” em toda a cadeia do petróleo, da exploração e produção ao refino do óleo, além da utilização de gás. É corrente no mercado, entretanto, a informação de que essa parceria envolverá a retomada das obras do Comperj, em particular a da refinaria de petróleo incluída no projeto (que, na sua versão original, previa também uma unidade de processamento de gás natural e um complexo petroquímico).

Anunciado como uma das grandes realizações do governo de Lula, o Comperj, no município fluminense de Itaboraí, teve suas obras oficialmente iniciadas em 2006. Seria, no discurso grandiloquente típico das administrações petistas, o maior empreendimento da estatal, um dos maiores do mundo no setor petroquímico e o maior empreendimento industrial do País em muitas décadas. Geraria 200 mil empregos diretos e indiretos e, além de combustíveis, produziria matéria-prima para a indústria de plásticos que se instalaria na região, desenvolvendo-a ainda mais rapidamente.

Como muitos outros na área de petróleo aprovados durante a administração petista, o que o projeto da Comperj propiciou, no entanto, foi a montagem de um imenso esquema de corrupção que, não fossem as descobertas da Lava Jato, asseguraria dinheiro para que o PT sustentasse indefinidamente seu projeto de poder. De quebra, serviu para abastecer a conta do ex-governador fluminense Sérgio Cabral e de sua equipe, já denunciados por crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Apesar dos gastos com a obra, que superam em muito o orçamento inicial, a Petrobrás teve de paralisá-la, o que implicou a demissão de mais de 5 mil pessoas. Além do desvio puro e simples do dinheiro da empresa pelo esquema de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato, outras irregularidades marcaram o projeto, como o sobrepreço encontrado pelos auditores do Tribunal de Contas da União em quatro contratos de responsabilidade de nove empreiteiras investigadas na operação.

Mas, se executado de acordo com os padrões de responsabilidade financeira e cuidado técnicos que devem ser seguidos em obras públicas, sobretudo dessas dimensões, o Comperj é um projeto importante para o País. Sua capacidade de refino, de 165 mil barris de petróleo por dia na primeira fase, reduziria a necessidade de importação de derivados. Sua unidade de gás – cujas obras prosseguem – receberá o gás natural a ser produzido a partir de 2020 no pré-sal da Bacia de Santos. Ao que se informa, a construção da unidade petroquímica continuará suspensa.

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