Parque do Jockey

Há seis meses, a Prefeitura tomou posse da área de 140 mil metros quadrados da Chácara do Jockey Club de São Paulo, no Butantã, que era alugada para eventos e foi dada para pagar parte da dívida acumulada do Imposto Predial e Territorial Urbano. O débito total é de R$ 133 milhões e o imóvel foi avaliado pela Justiça em R$ 98 milhões. No ato de posse, em 2 de outubro, o prefeito Fernando Haddad foi fotografado num trator derrubando parte dos muros que cercam a chácara e prometeu substituí-los por grade, que delimitaria uma nova área de lazer, bem-vinda numa cidade carente de espaços verdes. Por enquanto, porém, só foi erguido um tapume isolando a área onde o mato cresce a ponto de invadir as cocheiras e de um carro da Guarda Civil Metropolitana (GCM) ter ficado preso nele.

O Estado de S.Paulo

03 Abril 2015 | 02h05

Para cumprir a promessa do chefe, o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Wanderley Meira do Nascimento, garantiu que o projeto do futuro Parque Municipal da Chácara do Jockey será concluído em 30 dias. Depois, os 200 metros de muros serão derrubados e substituídos por grades e se fará o zoneamento do espaço. Mas o secretário preferiu não fixar prazo para a inauguração, limitando-se a informar que ele poderá ser frequentado pelo público ainda nos dois anos que restam da atual administração. Conforme Nascimento, o novo espaço será destinado à "contemplação da natureza" e a atividades culturais.

Por enquanto, de acordo com reportagem do Estado, tudo o que foi feito no local depois da solenidade de posse foi instalar uma base da GCM. "Ainda não tem nada acontecendo aqui dentro e ninguém pode entrar", informou um guarda-civil. Na verdade, no terreno ainda funciona a escola de futebol Pequeninos do Jockey, para cujos professores e alunos é permitida a entrada. "Eu tenho alunos de 4 anos aqui. Estava com medo de perdê-los dentro do mato. Criança é curiosa, quer andar pelas cocheiras e eu sou o responsável por elas", disse Carlos Antonio de Almeida, diretor da escola. Para ele, "nada mudou desde a posse".

Como era de esperar, a área desocupada já chamou a atenção de alguns sem-teto, que tentaram invadi-la, mas não conseguiram montar acampamento. A população do bairro espera que não haja novas tentativas de invasão, pois conta com a possibilidade de vir a frequentá-la. "É uma área muito grande, tem um lago lindo e queremos aproveitar", disse a dona de casa Maria do Carmo. Segundo o secretário do Verde, o projeto da Prefeitura é mais ambicioso. Ele esclareceu que as cocheiras em que viviam os cavalos que disputam páreos no Jockey são tombadas pelo patrimônio histórico e arquitetônico e, portanto, não podem ser demolidas. Por isso, a Prefeitura pretende reformar e restaurar aquelas instalações. Nesses imóveis, segundo ele informou, serão instalados salas de cinema, oficinas de teatro e espaços para outras atividades culturais. Pretende-se também usar o lago que fica nos fundos do terreno como atração idêntica à que existe no Ibirapuera.

Mas preocupa que atividades tão comezinhas não tenham sido nem sequer iniciadas num período longo como este de 180 dias. E mais ainda porque a gestão municipal de parques é useira e vezeira em dar prazos que não são cumpridos. Há 50 dias, a Rádio Estadão levou ao ar denúncias das más condições de áreas verdes em todas as regiões da capital, após ouvir funcionários que reclamaram de falta de equipes de manejo e de segurança nos locais. Isso, segundo o testemunho deles, provoca acúmulo de lixo, falta de poda e aumento da violência.

O secretário garantiu que estes problemas seriam resolvidos até o fim de fevereiro. Um mês depois, contudo, não se pode dizer que tudo foi sanado. Cobrado, Nascimento disse que os parques visitados pelos repórteres faziam parte do último lote a ser licitado e transferiu a culpa para as empresas contratadas para fazer o serviço. A prática de empurrar com a barriga e substituir promessa não cumprida por outra reitera o desmazelo indevido com a coisa pública.

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