Pelo bem da cidade

As parcerias entre o Estado e a Prefeitura da capital em áreas importantes como transportes, educação, habitação e segurança pública, acertadas pelo governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad, são uma demonstração de que é perfeitamente possível conciliar o interesse público com diferenças partidárias. A principal beneficiária dessa iniciativa será a capital, que precisa dessa cooperação para resolver muitos de seus graves problemas. E o gesto dos dois administradores que a promovem certamente acabará reconhecido pela população, que sabe muito bem distinguir os governantes que são capazes de superar diferenças mesquinhas - sem por isso apagar suas divergências nem abandonar seus projetos políticos próprios - dos que não conseguem deixá-las de lado.

O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2013 | 02h07

No setor de transporte foi firmado um convênio de cooperação para a construção de corredor de ônibus entre a região do ABC e Guarulhos. Esse corredor metropolitano - porque servirá vários municípios da Grande São Paulo, além da capital -, chamado Perimetral Leste, utilizará parte da Avenida Jacu-Pêssego, na zona leste. "É uma ligação estratégica entre dois grandes terminais", lembrou Alckmin. Ela será mais um importante elemento de integração da região metropolitana. O projeto, que ficará sob a responsabilidade da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, tem custo estimado em R$ 137 milhões.

Os projetos na área de habitação envolvem recursos ainda maiores. Alckmin autorizou a construção de 2.230 moradias, ao custo de R$ 140 milhões, da qual será encarregada a CDHU. Para cada unidade construída no centro da cidade, a Prefeitura entrará com R$ 20 mil. Desse projeto participará também o governo federal, com recursos do programa Minha Casa, Minha Vida.

Estado e Prefeitura vão investir R$ 46 milhões na construção de 20 creches na capital. A falta de vagas em creches é um problema que se arrasta há muito tempo, apesar das promessas de solução feitas pelos prefeitos que se sucederam nas últimas décadas. Os investimentos feitos por todos eles sempre ficaram aquém das necessidades e o déficit de vagas nunca ficou abaixo de 100 mil. Como o governo federal também vai dar sua contribuição, é possível que desta vez se consiga um avanço mais significativo na solução do problema, que afeta principalmente as famílias de baixa renda. Para elas, além do aspecto educacional, as creches são importantes por serem um lugar seguro para deixar os filhos. Isso permite que tanto o pai como a mãe possam trabalhar.

Na segurança pública, várias possibilidades de cooperação estão sendo exploradas. Além de combater camelôs, a Operação Delegada - pela qual policiais militares (PMs) prestam serviço à Prefeitura, em horário de folga, recebendo dela um adicional - vai cuidar das queixas de excesso de barulho, que já são mais da metade das que chegam ao telefone 190 da PM. Isso vai desafogar esse serviço e possibilitar à PM cuidar de casos mais graves.

Serão criadas centrais de monitoramento por câmeras nas subprefeituras, que passarão as informações por elas colhidas ao Centro de Operações da PM (Copom). A Prefeitura se comprometeu ainda a melhorar a iluminação pública - que ajuda a inibir a violência - nos locais que os serviços de inteligência das Polícias Civil e Militar consideram mais perigosos.

Outra questão na qual poderá haver entendimento entre Estado e Prefeitura é a criação, proposta por Haddad, do Bilhete Único Mensal, que permitirá aos usuários fazer quantas viagens quiser pelo sistema de transporte público por um pagamento fixo estimado em R$ 140. O Estado ainda avalia as vantagens e desvantagens de sua participação, sem a qual ficarão de fora o metrô e a CPTM. O bilhete se limitaria então aos ônibus.

O que já foi acertado, contudo, mostra que a cooperação, que existiu quando prefeito e governador eram do mesmo partido ou aliados - Geraldo Alckmin, José Serra e Gilberto Kassab -, pode continuar e ser mesmo ampliada com adversários como Haddad, pelo bem da cidade.

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