Pesquisas sobre construção civil indicam piora

A Sondagem Indústria da Construção da CNI mostrou que o Índice de Evolução do Nível de Atividade caiu de 46,9 pontos em abril para 44,4 pontos em maio

O Estado de S.Paulo

11 Julho 2018 | 04h00

Pesquisas recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) mostraram um forte recuo das condições atuais e das perspectivas da construção civil. Os números indicam que, além da reversão das expectativas favoráveis alimentadas por empresários acerca da recuperação do ritmo da atividade econômica, a greve dos transportadores “causou muitos prejuízos e paralisou obras”, transformando-se em componente importante “nessa mudança de humor”, segundo a economista Ana Maria Castelo, da FGV. Os insumos não chegavam às obras e houve atraso nos cronogramas.

A Sondagem Indústria da Construção da CNI mostrou que o Índice de Evolução do Nível de Atividade caiu de 46,9 pontos em abril para 44,4 pontos em maio, pior resultado desde julho de 2017 e abaixo da média de 50 pontos que separam o campo positivo do campo negativo. A utilização da capacidade ociosa foi de apenas 57%, 3 pontos porcentuais inferior à de abril.

As expectativas quanto ao nível de atividade caíram de 54,7 pontos em maio para 50,4 pontos em junho, ainda no campo positivo, enquanto os itens novos empreendimentos e serviços, compras de insumos e matérias-primas e número de empregados situaram-se abaixo dos 50 pontos. O indicador de intenção de investimento recuou 2,7 pontos entre maio e junho, para 30,6 pontos.

A Sondagem da Construção da FGV caiu 3,1 pontos entre maio e junho, atingindo 79,3 pontos, bem abaixo do nível médio de 100 pontos e pior resultado desde novembro de 2017. Os piores resultados vieram das expectativas, em especial da situação esperada para os negócios nos próximos seis meses. A situação momentânea dos negócios era estável ou estava em leve recuperação, mas em níveis insatisfatórios.

Até o início do segundo trimestre, a construção civil vinha mostrando retomada lenta e mais evidente no aumento dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais, como apontavam a associação das incorporadoras (Abrainc) e o sindicato da habitação (Secovi-SP). Agora, se o segmento de moradias apresenta melhora – por exemplo, com a elevação do montante e do número de unidades financiadas pelas cadernetas de poupança do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo –, o setor de obras de infraestrutura se mostra enfraquecido.

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