Pessoas físicas voltam a tomar mais empréstimos que as empresas

.

O Estado de S.Paulo

01 Março 2017 | 03h03

Os empréstimos estão minguando para famílias e empresas – e ainda mais para estas, que, sem duplicatas para descontar ou sem a exigência premente de capital de giro, foram superadas pelas pessoas físicas. O crédito total caiu 1% no mês e 3,9% em 12 meses. Como proporção do PIB, foi de 53,2% para 48,7% entre janeiro de 2016 e 2017. Do saldo total de R$ 3,074 trilhões de empréstimos em janeiro, as pessoas físicas responderam por R$ 1,565 trilhão e as jurídicas, por R$ 1,508 trilhão. Foi o segundo mês consecutivo de predomínio das físicas e cabe indagar se isso indica tendência.

Há um componente cíclico nos dados de janeiro, mês seguinte ao do Natal, quando é maior a demanda de recursos. Mas isso não basta para justificar a diminuição da demanda ou o aumento da aversão ao crédito, mais bem explicável pelo comportamento dos juros, que têm oscilado.

No último trimestre de 2016, por exemplo, esboçou-se tendência de queda – o juro nas operações livres caiu de 54% ao ano em setembro para 51,6% ao ano em dezembro.

Mas, em janeiro, enquanto a Selic caía, os juros ativos subiam. Entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, o juro básico caiu de 13,75% ao ano para 13% ao ano (era de 14,25% ao ano até outubro), mas a taxa média dos empréstimos subiu de 32% ao ano para 32,8% ao ano.

A média no mercado livre avançou de 51,6% ao ano para 52,8% ao ano, e no mercado direcionado, de 10,6% para 11,3% ao ano. Para as empresas, as taxas livres atingiram 28,8% ao ano, um ponto porcentual acima de dezembro. Aumentou o custo das operações de desconto de duplicatas (+3,4 pontos porcentuais), de capital de giro (+0,7 ponto) e até de financiamento às exportações (+2,8 pontos). Para pessoas físicas, o juro médio nas operações livres foi de 72,7% ao ano.

Aumentou a diferença, de que os bancos se apropriam, entre os juros ativos que cobram e os passivos que pagam: o spread bancário atingiu 61,2 pontos porcentuais para pessoas físicas nas operações livres. É porcentual elevadíssimo quando se leva em conta que a inadimplência está estabilizada e que muitos devedores se empenham em reduzir o endividamento. Em resumo, nem o crédito é acessível a todos nem desejado por muitos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.