PIB do final de 2008 retrata a crise

O crescimento de 5,1% do PIB no ano passado, contra 5,7% em 2007, poderia ser tido como satisfatório, não fosse a queda de 3,6% no quarto trimestre em relação ao terceiro, um alerta sobre os efeitos da crise mundial. É no 4º trimestre que devemos concentrar a análise, pois nos dá ideia do impacto, em 2009, da crise que até agora não deu sinais de uma possível melhora.Assim, ao considerarmos o resultado do quarto trimestre em relação ao terceiro e em função dos setores de atividade, verificamos que todos apresentaram redução com uma queda do valor adicionado de 2,7%. Mas o que mais chama a atenção é a queda da indústria, que havia apresentado crescimento de 3,6% no terceiro trimestre e sofre uma queda de 7,4% no último. A velocidade da deterioração se acentuou, como mostram os dados até agora conhecidos relativos a 2009.Isso nos leva ao exame da evolução dos componentes da demanda para detectar quais os fatores mais responsáveis por essa queda tão violenta. A maior queda foi na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), isto é, no investimento, que recuou 9,8% depois de ter crescido 8,4% no trimestre anterior. Foi a maior desde 1996. E pode ser considerada dramática, pois, além de mostrar que a economia não mais acredita numa retomada da demanda interna em prazo médio, rompeu uma sequência de três anos de elevação dos investimentos.O consumo das famílias, que o governo havia favorecido para sustentar o crescimento da economia, caiu 2% depois de um crescimento de 2,1% no trimestre anterior. Se levarmos em conta o crescimento do desemprego no primeiro mês de 2009 e o aumento da taxa de juros, podemos imaginar que o consumo doméstico continuará caindo, embora o consumo da administração pública no 4º trimestre tenha sido o único componente da demanda a acusar alguma alta (0,5%).A queda do consumo se traduziu imediatamente por uma forte retração de 8,2% das importações, enquanto as exportações apresentaram recuo de 2,9%, resultado da queda da demanda externa e dos preços, o que contribuiu também para a queda da produção industrial.Nesse quadro, o aspecto positivo é a sinalização da redução do déficit comercial.O único setor que não sofreu com a crise foi o setor público: os impostos sobre o valor agregado no 4º trimestre cresceram 2,6% em relação ao mesmo período de 2007, e, no ano inteiro, 4,7% em relação a 2007.

, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2009 | 00h00

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