PIB paulista avança mais que o nacional

Economia paulista se ressentiu da instabilidade política associada à realização de eleições nos níveis estadual e federal

Editorial econômico, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2019 | 05h29

Confirmando previsão anterior, o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado de São Paulo fechou 2018 com crescimento de 1,6% em relação ao ano anterior, como foi há pouco divulgado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), órgão vinculado à Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado de São Paulo. O PIB paulista, assim, teve taxa de expansão maior do que a do PIB do País (de 1,1%), calculado pelo Instituto Brasileiro e Geografia Estatística (IBGE).

A diferença pode ser explicada pela força do setor de serviços em São Paulo, que teve crescimento de 1,8% em reação a 2017. A indústria de transformação no Estado cresceu 1,2%. Já agropecuária foi muito prejudicada no Estado, com um recuo de 1,8%, e a atividade extrativa mineral teve queda de 4,1%.

No plano interno, da mesma forma que a economia nacional, o PIB paulista foi muito afetado pela greve dos caminhoneiros, ocorrida no fim de maio do ano passado, gerando problemas de abastecimento e comprometendo o consumo por um certo tempo. Nota a Seade que, da mesma forma que ocorreu em todo o País, a economia paulista se ressentiu da instabilidade política associada à realização de eleições nos níveis estadual e federal.

A Seade lembra também fatores externos, como as sucessivas altas das taxas de juros decretadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que desviou investimentos para o mercado americano, em detrimento dos polos de países emergentes como São Paulo. Outro fator foi a decisão do governo dos EUA de impor cotas sobre as exportações de aço do Brasil e outros países.

Se, nos últimos anos, a economia paulista teve crescimento um pouco maior que a economia nacional, projeções divulgadas pela Seade são de que essa situação deve se inverter em 2019. Por essas previsões, se o PIB nacional tiver alta de 1,8% neste ano, taxa máxima projetada, o produto real do Estado de São Paulo deve se expandir apenas 1,5%. Na projeção mínima, o PIB do Brasil pode avançar 1,3% e o de São Paulo, apenas 1,1%. Na média, a instituição prevê crescimento do PIB nacional de 1,5% e de 1,3% do paulista.

Essas projeções se baseiam na desaceleração recente da economia paulista. Entre o terceiro e o quarto trimestres de 2018, descontados efeitos sazonais, o avanço da economia do Estado foi de apenas 0,2%.

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