Poupança perto de seu ponto mais baixo

A fuga de recursos das cadernetas de poupança em 2016 pode ser superior à que se verificou em 2015, indicam os últimos dados do Banco Central (BC)

O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2016 | 03h15

A fuga de recursos das cadernetas de poupança em 2016 pode ser superior à que se verificou em 2015, indicam os últimos dados do Banco Central (BC). O total das retiradas das contas de poupança em agosto (R$ 171,83 bilhões) superou em R$ 4,47 bilhões o de depósitos (R$ 167,36 bilhões). Com isso, o saldo negativo das cadernetas de janeiro a agosto alcança R$ 48,2 bilhões, próximo do resultado negativo de 2015, de R$ 53 bilhões.

A economia vem dando sinais de aquecimento, mas os reflexos sobre os níveis de emprego ainda demorarão para serem sentidos e a tendência é de que, com a massa de salários em baixa, os saques nas cadernetas continuem superando os depósitos nos próximos meses. Por causa da crise, somente em dezembro, com o pagamento do 13.º salário, os depósitos costumam ser superiores aos saques. Mas isso ocorre apenas por um breve período, em face das despesas com que as famílias têm de arcar em janeiro com a renovação de matrículas escolares, pagamento de IPTU, etc.

Com as pressões inflacionárias em 2015 e 2016 e a política adotada pelo BC para revertê-las, mantendo a taxa básica de juros em 14,25% ao ano, as cadernetas deixaram de ser opção de investimento, ficando em desvantagem com relação a fundos de renda fixa e outras aplicações.

Este, naturalmente, é um dos fatores que explicam o fato de o estoque total de recursos das cadernetas ter baixado para R$ 641,1 bilhões em agosto, R$ 15,4 bilhões menos, em termos nominais, em relação ao fim de 2015 (R$ 656,5 bilhões). Isso afeta diretamente o setor da construção civil, que é o que mais emprega na economia e que está atravessando uma séria crise, pois depende de financiamentos com recursos das cadernetas.

Apesar de tudo, pode ser que a queda da poupança esteja bem perto do ponto mais baixo da curva, levando em conta a expectativa de contenção da inflação e, em consequência, da taxa básica de juros. Se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechar o ano em 7,30%, como preveem os economistas ouvidos para a elaboração do relatório de mercado Focus, do BC, as cadernetas – com rendimento de 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR) – passarão a ser mais atrativas, especialmente para pequenos poupadores, considerando a isenção do Imposto de Renda.

A situação será tanto melhor se a inflação nos próximos 12 meses baixar para 5,28%, segundo projeção constante do boletim Focus.

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