Poupança reflete aperto dos consumidores

Crescimento do saldo líquido foi o menor para novembro em três anos, mostrando que os consumidores parecem estar sem recursos ou sem disposição para constituir reservas para o futuro

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2018 | 04h00

Os depósitos nas cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) cresceram R$ 1,95 bilhão, em termos líquidos, em novembro. A evolução é a menor para o mês em três anos, mostrando que os consumidores parecem estar sem recursos ou sem disposição para constituir reservas para o futuro. Incluindo a poupança rural, o ingresso líquido de recursos foi de apenas R$ 0,7 bilhão no mês passado, segundo o Relatório de Poupança do Banco Central (BC).

O bimestre novembro/dezembro é, sazonalmente, o mais forte para a captação. O ingresso líquido do período foi de R$ 18,7 bilhões em 2017. Em 2016, ano de saques líquidos de R$ 31,2 bilhões, houve aportes de R$ 11,6 bilhões no último bimestre. Dezembro, graças ao pagamento do 13.º salário, destaca-se como o melhor mês do ano. Em dezembro de 2015, no auge da recessão econômica, houve ingressos líquidos nas cadernetas de R$ 4,8 bilhões, contrastando com os saques líquidos anuais de R$ 50 bilhões.

Com o ritmo ainda lento dos empréstimos habitacionais, não há falta de recursos provenientes das cadernetas para mutuários ou produtores de habitação. Mas, se a economia recobrar fôlego a partir do ano que vem, será mais difícil que as cadernetas bastem para atender à demanda.

Os financiadores estão atentos ao problema. Nos últimos dias, duas instituições privadas (Santander e Itaú) lançaram ou anunciaram o lançamento de emissões de Letras Imobiliárias Garantidas (LIGs), versão brasileira dos covered bonds, muito utilizados nos mercados desenvolvidos para captar recursos para habitação.

Mas as cadernetas oferecem a vantagem do custo baixo de captação, da ordem de 0,37% ao mês. Isso permite que os empréstimos concedidos pelos agentes de crédito imobiliário tenham custos módicos para os tomadores. É um fato particularmente importante num momento em que cresce a demanda por imóveis compactos, com preços compatíveis com a renda dos mutuários.

Com um saldo total de recursos de R$ 603,7 bilhões, as cadernetas do SBPE são a principal fonte de recursos para o crédito imobiliário. O crescimento dos saldos foi de 10% em relação a novembro de 2017. O mês em curso será um teste para as cadernetas, indicando se os poupadores darão preferência a formar reservas ou se, mais confiantes no futuro, ampliarão o consumo.

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