Pressão fiscal adicional explica alta da dívida

Desperta atenção a estratégia dos gestores da dívida, que passaram, ao que tudo indica, a prever a continuidade da queda da taxa Selic e passaram a colocar mais papéis com remuneração atrelada a essa taxa

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28 Julho 2017 | 03h01

A dívida mobiliária do governo federal aumentou e se tornou mais cara em junho, segundo o Tesouro Nacional. Desperta atenção a estratégia dos gestores da dívida, que passaram, ao que tudo indica, a prever a continuidade da queda da taxa Selic e passaram a colocar mais papéis com remuneração atrelada a essa taxa. É uma política a ser acompanhada de perto não só por investidores em títulos públicos, mas por analistas que preveem novas quedas do juro básico – além, portanto, da queda de um ponto porcentual registrada na última reunião do Copom – para antecipar a retomada da atividade econômica.

Em junho, a emissão líquida de dívida mobiliária foi de R$ 70,2 bilhões, dos quais 50% em papéis com taxa flutuante (Selic) e 40% em títulos prefixados. O estoque da dívida cresceu mais (R$ 103,5 bilhões, atingindo R$ 3,35 trilhões), com a apropriação de juros no valor de R$ 31,3 bilhões.

As pressões fiscais cresceram nas últimas semanas e o governo pôs em prática uma alta de tributos, acompanhada de corte orçamentário. Essas pressões são o principal fator de elevação da dívida. Além disso, após dois meses de quase estabilidade do estoque da dívida, o crescimento em junho era esperado. Os maiores tomadores foram instituições financeiras e fundos de investimento. Houve redução da participação de investidores estrangeiros (de 13,42% em maio para 12,90% em junho). Em vista do agravamento da crise política, a queda pode ser considerada de pequena expressão. Parece provável que a situação se reverta neste semestre.

Pior é a alta do custo médio acumulado em 12 meses da dívida, que aumentou de 11,23% ao ano em maio para 11,40% ao ano em junho. Mas a alta teve como única explicação a desvalorização do real ante o dólar, que fez crescer a parcela da dívida em moeda externa. Ao contrário, o custo da dívida em reais caiu, em igual período, de 11,78% para 11,40% ao ano.

O temor dos investidores com a situação política afetou os prazos médios da dívida, que diminuíram de 4,54 anos em maio para 4,41 anos em junho. É um prazo curto, que tornará mais difícil a redução do custo da dívida mobiliária.

O maior benefício para a administração virá da queda da taxa Selic na sequência da queda acentuada da inflação. Economistas conceituados já admitem que o juro básico poderá cair a 7,5% ao ano em 2017.

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