Pressões de custo afetam a dívida mobiliária

Com a valorização do dólar ante o real, houve alta do custo tanto da dívida interna como da externa

O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 05h42

As incertezas políticas e econômicas provocaram, em junho, uma elevação dos juros de médio e longo prazos negociados entre instituições financeiras, bem como do custo médio da Dívida Pública Federal (DPF). Esse custo acumulado em 12 meses passou de 10,04% ao ano em maio para 10,31% ao ano em junho, segundo o Relatório Mensal da Dívida Pública Federal. Houve alta do custo tanto da dívida interna como da externa, devido à valorização do dólar ante o real.

Em junho, com o crescimento da desconfiança dos investidores em relação ao futuro, o Tesouro Nacional teve de intervir pesadamente no mercado de títulos públicos, realizando leilões extraordinários.

O resultado, segundo a coordenadora de operações da dívida, Márcia Tapajós, foi a recompra líquida, entre maio e julho, de R$ 22 bilhões em papéis, dos quais R$ 2,9 bilhões em julho. Responsável pelas operações, o Tesouro atuou em coordenação com o Banco Central, com vistas a “ajudar os investidores a reprecificar os ativos”, explicou a coordenadora da dívida.

Além das incertezas eleitorais, a volatilidade dos mercados internacionais foi intensa, com valorização do dólar não só ante o real, mas ante as moedas de emergentes em geral.

Não obstante a recompra de títulos, o estoque da dívida continuou crescendo – de R$ 3,716 trilhões, em maio, para R$ 3,754 bilhões, em junho – pela apropriação de juros ao principal. Mas ainda está abaixo das metas do Plano Anual de Financiamento (PAF) e está é uma evidência das dificuldades de vender títulos a custos módicos para o Tesouro.

Os investidores se mostram cautelosos e pouco alteraram sua participação como detentores da dívida entre maio e junho. Embora com liquidez farta, as instituições financeiras elevaram suas posições em apenas R$ 15 bilhões, ou 0,2% do total.

O perfil da dívida vencível em 12 meses mudou pouco, mas o prazo médio da dívida diminuiu, caindo de 4,26 anos em dezembro de 2017 para 4,14 anos em junho de 2018.

A dívida mobiliária é a parte principal da dívida bruta do governo geral, da ordem de 77% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio e que tende ao crescimento. É um endividamento elevado comparativamente ao de outros países emergentes e constitui um grave problema a ser enfrentado pelos próximos governos. 

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