Prévia da inflação fortalece as projeções de queda de juros

A prévia do IPCA-15 registrou alta de 0,31%, inferior às expectativas de mercado

O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2017 | 05h00

A prévia da inflação de janeiro medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,31%, inferior às expectativas de mercado e indicador mais baixo desde janeiro de 1994. A coleta de preços para o índice foi feita entre 14/12/2016 e 12/1/2017 e, ainda que o IPCA fechado do mês venha a ser um pouco mais elevado, a inflação em 12 meses tende a ficar abaixo dos 6%, favorecendo a decisão do Banco Central de afrouxar a política de juros. Como o IPCA-15 de janeiro de 2016 foi de 0,92%, a inflação em 12 meses até a primeira quinzena do mês já se reduziu para 5,94%.

Não há preocupação com a ligeira aceleração do IPCA-15 em relação a dezembro, quando subiu 0,19%. Isso se deve à alta de despesas pessoais e preços de transportes, comunicações e saúde, e, em especial, alimentação, que saiu de queda de 0,18% para alta de 0,28%. Óleo de soja, farinha de mandioca, ovos e frutas contribuíram para a alta. Contudo as pressões altistas tendem a ser moderadas, porque o desemprego não cedeu e a recessão só aos poucos ficará para trás.

Entre dezembro e janeiro, os preços administrados subiram mais do que os preços livres, mas, em 12 meses, caíram de 5,6% para 5,2%. A inflação de serviços ainda é elevada (de 6,4% em 12 meses) – no entanto, o índice cedeu em relação a dezembro (6,6%).

A inflação da primeira quinzena de janeiro oscilou muito conforme a região pesquisada. Em Salvador, por exemplo, a alta de 1,05% nos preços da alimentação elevou o índice para 0,63%. Em Brasília, Fortaleza e Belo Horizonte a inflação superou a média nacional. Já em São Paulo, ficou exatamente na média (0,31%), favorecida pela não correção de tarifas de ônibus e metrô. Índices mais baixos foram registrados no Recife e em Goiânia (0,14% em ambas) e em Porto Alegre (0,03%), no caso, em razão da queda das tarifas de eletricidade e dos preços da alimentação fora do domicílio.

O orçamento doméstico apertado por causa das despesas obrigatórias do início de ano torna as famílias – sempre ameaçadas ou já afetadas pelo desemprego de algum de seus integrantes – ainda mais cautelosas, o que afeta a demanda, ajudando a derrubar o IPCA. Grandes bancos estimam que a alta de janeiro ficará entre 0,44% e 0,5%. Um dos raros fatores de preocupação é a pressão de preços no atacado, que tendem a ser repassados para o varejo.

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