Previsão otimista do BC para as contas externas

No mês de novembro o déficit das transações correntes do balanço de pagamentos do ano chegou a US$ 43,4 bilhões, um aumento de 136,8% em relação ao mesmo período de 20o9, clara evidência de deterioração das contas externas, embora a conta financeira tenha permitido cobrir esse déficit com US$ 89,7 bilhões de saldo, 152,4% a mais que em igual período de 2009, mas com uma parte importante de recursos voláteis ou pagando juros.

, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2010 | 00h00

É normal que se busque prever a situação do próximo exercício.

O Banco Central, ao divulgar os dados de novembro, apresentou sua estimativa para 2010 e também para o próximo ano. A estimativa para 2010 era de um déficit de US$ 49,9 bilhões em transações correntes em 2010, admitindo que, em 2011, ele atingirá US$ 64 bilhões. Isso exigirá encontrar fontes de financiamento maiores do que neste ano, e num clima que poderá não ser tão favorável.

A balança comercial apresentará um saldo positivo menor do que neste ano - queda de US$ 17,0 bilhões para US$ 11,0 bilhões - malgrado um crescimento de 20% das exportações, mas de 29% das importações, o que parece indicar que as commodities continuarão a ser os produtos mais comercializados externamente. Por outro lado, nada permite prever mudanças na nossa política de comércio exterior nem tampouco alguma correção da política cambial.

O déficit dos serviços e renda continuará crescendo, mantendo uma quase estabilidade dos juros, mas um aumento maior dos lucros e dividendos parece indicar uma queda da rentabilidade dos investimentos estrangeiros, embora esses devam aumentar em 20%.

As amortizações, cujo cálculo tem base mais sólida, deverão ser menores do que em 2010. O governo admite que as viagens internacionais continuarão crescendo, indício de que a taxa cambial continuará valorizada.

A conta financeira continuará fornecendo mais recursos para compensar o aumento do déficit das transações correntes. É interessante a previsão de um forte recuo da emissão de bônus e de um aumento dos investimentos brasileiros no exterior.

Toda a previsão do Banco Central parte do princípio de que o ambiente internacional não será diferente do de 2010. Isto é, a situação dos países do Primeiro Mundo não será muito diferente: com excesso de liquidez em virtude do medíocre crescimento das economias nesses países, dos quais a China continuará a ser o motor da economia mundial, e o Brasil continuará atraindo o capital estrangeiro, o que não é tão certo.

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